sábado, 13 de abril de 2013

Olhando o mundo através da cruz - Cosmovisão Cristã

                                    
Por Danyllo Gomes



INTRODUÇÃO

Antes de tudo, é importante entendermos o que é uma cosmovisão e o que é o cristianismo. Entendermos a importância das metanarrativas na vida e como cada pessoa lida com esse fato. Bem, a grosso modo, cosmovisão é o modo pelo qual nós enxergamos a vida; é o modo pelo qual nós julgamos o que acontece ao nosso redor. Portanto, cosmovisão seria um conjunto de crenças que guia nossos pensamentos e nosso modo de viver. Cosmovisão é a base de tudo que cremos e fazemos. Até mesmo aquelas pessoas que se julgam sem cosmovisão, na verdade, a têm. Sistemas de pensamentos como, por exemplo, Aristóteles e Platão são uma cosmovisão.

      A cosmovisão é composta por crenças coerentes e organizadas que nos levam a formar um sistema de ideias. Portanto, nossa ideia da realidade, como a julgamos e como lidamos com ela, é dada pela esquematização das nossas crenças. O filósofo W. P. Alston foi muito feliz quando afirmou que: “Pode ser argumentado, sobre a base de fatos com respeito à natureza do homem e as condições da vida humana, que os seres humanos têm uma necessidade profundamente implantada de alguma figura geral do universo total no qual eles vivem, para que eles possam ser capazes de se relacionar com suas próprias atividades fragmentárias ao universo como um todo de uma forma significativa para eles, e uma vida na qual isso não é perseguido, é uma vida empobrecida num aspecto muito significante.” Querendo ou não, todos nós estamos ligados a uma cosmovisão, resta-nos saber se é uma cosmovisão Cristã (Bíblica e correta) ou não. Dando um exemplo mais prático: cosmovisão é como se fosse os nossos óculos, tudo vemos através deles. Essa é a ideia da Cosmovisão Cristã: é vermos o mundo através de uma visão Bíblica. As Escrituras nos mostram com clareza como devemos ver o mundo, como devemos proceder, quais devem ser nossas ideias e tantas outras riquezas de conhecimento.

      Pessoas que não têm base na cosmovisão correta podem começar a ter ideias erradas e inconsistentes. Se olharmos o mundo através dos óculos errados, consequentemente vamos enxergar coisas erradas. O mesmo acontece com a cosmovisão: se enxergamos o mundo através de uma cosmovisão errada, faremos julgamentos errados das coisas que estão ao nosso redor; o mundo não fará mais sentido pra ele. Por vezes nos pegamos pensando: “Aborto é errado?”, ou “E a pena de morte? Será que é correto?”, ou “qual o objetivo do homem?”, perguntas essas que nos rondam a todo momento e nos levam a tomar decisões. O que influenciará nossa conclusão e pensamento acerca dessas coisas é a nossa cosmovisão. Se for uma cosmovisão sadia, consequentemente vamos ter posições coerentes e corretas; do contrário, teremos sérios problemas.

A COSMOVISÃO CRISTÃ

     Paulo no livro de Colossenses 2:8 diz: “Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”. Como bem sabemos, essa época era a “época da filosofia”. Essa era a época de grandes pensadores. Homens que buscavam entender a vida de modo bastante racional, explicações inteligentíssimas para assuntos tão complicados. Essa era a época onde a igreja a qual a carta de Colossenses estava sendo endereçada. Paulo exorta os cristãos dali a tomarem cuidado para que ninguém os engane com filosofias segundo as tradições dos homens e nem do mundo, mas que eles sigam a filosofia de Cristo. “Mas como é a filosofia de Cristo? O que ele quer dizer com isso?” É aí onde entra a cosmovisão cristã. Quando Paulo exorta os cristãos a viverem pela filosofia de Cristo, significa que Paulo estava mandando eles viverem de acordo com as crenças e o sistema de pensamento que Cristo deixou. Olhar para o mundo como Cristo olhou, viver no mundo como Cristo viveu. E isso não se aplica apenas àquela igreja, serve para nós hoje. Não devemos nos deixar levar pelas tradições dos homens e do mundo, mas sim pela de Cristo. R. C. Sproul escreve que “nenhuma sociedade pode sobreviver, nenhuma civilização pode funcionar, sem algum sistema unificador de pensamento... O que faz de uma sociedade um sistema unificado? Certo tipo de cola que é encontrado num sistema unificado de pensamento, o qual chamamos de cosmovisão”. E essa é a mais pura verdade.
De acordo com o texto de Colossenses visto acima, vemos que há dois tipos de filosofia: a cristã e a não cristã; a de Cristo e a fora de Cristo. Portanto, enxergarmos o mundo em uma perspectiva Bíblica é o que nos vai levar a achar a verdade e viver segundo Cristo.

METANARRATIVA BÍBLICA DO MUNDO

     Metanarrativa é uma narrativa que conta a história da humanidade. Como cristãos, precisamos agarrar à verdade central como centro a Palavra de Deus, e consequentemente, a narração da história do mundo está na Palavra de Deus. As Escrituras nos revelam pontos importantes na história da humanidade que o homem precisa entender e abraçar pra que viva de forma coerente com seu sistema de crenças. As Escrituras nos fornecem ensinamentos sobre o mundo, o homem, as coisas e tudo que há. Se acreditamos que as Escrituras é a verdade e que ela deve ser a nossa cosmovisão (sistemas de crenças), então, precisamos nos guiar por ela.
      Através da Bíblia vemos uma sequência de temas principais pelos quais Deus guiou a humanidade desde o início. Eles são: criação, queda, redenção e consumação. Esses são os chamados quatro pilares da história da humanidade.
       O início de tudo se deu na criação. Na criação foi onde Deus criou o homem e tudo que há na terra. E Deus, por ser o criador e dono do que Ele fez, por direito, ele colocou regras em tudo que fez. Regras no homem, na natureza, etc. Alguns conceitos importantes que às vezes esquecemos de explicar ou estudar, ou então não damos nem valor por achar que são apenas dizeres históricos, nós esquecemos. Entretanto são regras fundamentais. Esses princípios são: casamento. Deus criou homem e mulher, portanto, o casamento deve ser heterogâmico. Diz também que “deixará o homem seus pais e ele e sua mulher se tornaram uma só carne”, ou seja, o casamento deve ser a dois e o sexo tem que ser dentro do casamento. Hoje vemos o mundo virando de cabeça pra baixo: casamentos totalmente desestruturados. Porém, qual a visão correta acerca disso? Aí é onde está a importância da cosmovisão. Precisamos enxergar tudo de acordo com os “óculos” que o Senhor nos deu, para que em tudo glorifiquemos a Ele. Poderia passar um bom tempo escrevendo sobre vários princípios que foram colocados por Deus na Criação, mas não o farei, pois quero dar apenas uma visão geral de como precisamos ver o mundo.

      Depois da criação, temos o relato da queda. Deus criou tudo e colocou o homem para governar tudo o que Ele tinha criado. Fazendo do homem co-administrador da criação. Entretanto, Deus estabeleceu limites para homem. Ele disse: “Não comas do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.” Mas, não foi isso que o homem fez, e a partir daí, depois que o homem comeu do fruto, ele se tornou maldito. O homem não mais andava com Deus, agora ele estava no pecado. E desde Adão até hoje tem sido assim. Nós nascemos no pecado e estamos em completa rebelião contra Deus, até que Ele tenha piedade de nós e derrame sua graça e misericórdia em nossas vidas. Até que isso aconteça, estaremos em apuros. O fato é que o ser humano precisa saber qual o seu lugar. O mundo diz que o homem precisa buscar no seu interior o que é bom, precisa buscar no seu interior forças pra vencer as batalhas, quando, na verdade, a parte mais podre do homem é o de dentro. O homem não pode buscar no seu coração o que não tem. Não tem bondade, não tem nada de bom. Quando vemos o mundo de uma cosmovisão cristã, entendemos quem realmente somos. João Calvino afirmou muito bem quando disse: “O homem é uma fábrica de ídolos.” Deus criou o homem com eternidade dentro de si, por isso que ele busca algo além dele mesmo. O problema é que às vezes é totalmente fora da verdadeira eternidade. Se ao menos nossa sociedade entendesse quem somos, talvez muitas coisas não seriam como são.

      Depois da queda, por amor a Sua criação, Deus providencia redenção. Redenção aquela que só é encontrada em Cristo. Não apenas redenção para as pessoas, mas também para toda a criação. Precisamos ter consciência disso: Deus providenciou salvação. As pessoas têm pensamentos acerca da redenção totalmente falsos. O meio pelo qual as pessoas acreditam na redenção é falso. Algumas creem que a redenção da sociedade e do mundo vem através da educação, outros através da cidadania, outros através da moralidade, entre outros. A quem você perguntar, perceberá que essa pessoa tem alguma visão acerca da redenção. Na verdade, as pessoas têm consciência de que precisamos de uma redenção, seja ela qual for. O que precisamos fazer é mostrar a redenção verdadeira. As Escrituras, a cosmovisão cristã, nos mostra onde o mundo terá realmente a redenção, e não será fora de Cristo. A redenção de tudo está em Cristo. Ele é o centro, Ele é quem redime, Ele é quem salva, Ele é quem transforma. Ao olharmos para o mundo e nos agarrarmos a Cristo como única esperança, é o que nos vai fazer andar segundo a Sua filosofia, ou seja, segundo o que a Palavra do Senhor nos diz para andarmos. Portanto, a redenção é central na história da humanidade, e consequentemente, central para nossa vida como cristãos nesse mundo.

       Por fim, temos o cumprimento de todas as promessas que a redenção nos proporciona: a consumação. Pilar esse que é a esperança de todos nós. O sistema de ideias e pressupostos do mundo nos aponta para uma consumação da qual nós somos os autores, mas essa visão errônea é seguida de um entendimento errado acerca da queda. A partir do momento que entendermos a queda, saberemos que nada da consumação pode partir de nós. Na verdade, tudo da consumação parte da redenção. O que nos leva a consumação verdadeira, a crença nessa verdade é acreditarmos na redenção verdadeira. Cristo é a esperança da consumação. Quando tudo acabar, vai ser por Cristo, para Cristo. A criação, a queda e a redenção apontam para a consumação em Cristo Jesus,  o centro de tudo.

      Portanto, nós como cristãos devemos abraçar os principais pilares da história do Senhor para humanidade. A criação, queda, redenção e consumação apontam para como Deus direcionou a humanidade a viver. Quando entendermos isso, veremos o quanto nossas vidas irão ser mais coerentes com a fé Cristã e com a Palavra do Senhor. As Escrituras, acima de tudo, nos guiando na verdade que devemos andar e nos mostrando a cosmovisão correta a respeito do mundo.

quarta-feira, 13 de março de 2013

BREVE APRESENTAÇÃO DO AMILENISMO


Por Danyllo Gomes


A volta de Cristo. Um tema que apesar de tantas divergências, é de grande importância para a vida da igreja. É uma doutrina que abraça o coração do povo de Deus e os faz ter esperança num Cristo que já veio, e que voltará. A esperança do Cristão, ou é a morte e o encontro com o Senhor, ou a Sua volta. De ambos os lados temos a felicidade e a esperança de estarmos com Ele. Com Aquele que “por meio Dele e para Ele foram” Deus fez todas as coisas.
A escatologia é o estudo das ultimas coisas, do alvo do plano de Deus, da consumação da história, entre outros, ou seja, é a matéria onde é estudado a respeito sobre: como será o fim? Cristo voltará? Como Ele voltará? Ele irá reinar por mil anos literalmente, ou apenas simbolicamente? Dentre essas perguntas tantas outras surgem nesse assunto que é tão bom e gostoso de ser estudado. Eu, particularmente, tenho um grande apreço por esse assunto, porque foi por meio dele que meus olhos se abriram para o verdadeiro evangelho. A partir dele minha busca pelo conhecimento do Senhor cresceu. Portanto, além de ser um assunto de esperança para o povo de Deus, também é um assunto que desperta uma certa curiosidade, e Deus, pela sua soberania pode levar pessoas a se interessarem mais a partir de assuntos como esse, como foi meu caso.
Então, qual a importância deste assunto para nós? A importância é saber que as promessas do Senhor nunca falham, que podemos e devemos ter esperança num Deus que enviará Seu filho mais uma vez, como já o fez no passado. Porém, com a consciência que a volta de Cristo será com um caráter diferente da primeira vinda. Na primeira vinda ele veio em amor, porém na segunda virá como reto juiz.
No estudo da escatologia temos uma divisão de assuntos que nos ajuda a entender melhor cada área. Temos a escatologia individual/pessoal que estuda: a morte; o estado intermediário, a ressurreição; céu; inferno e tantos outros assuntos que são tratados de forma pessoal. E do outro lado temos a escatologia geral/cósmica que estuda as ultimas coisas em relação ao mundo, como, por exemplo: volta de Cristo; o milênio, novos céus e nova terra. Neste estudo estarei apresentando apenas uma área da escatologia cósmica, que será o milênio.
Antes de entrarmos no assunto específico do amilenismo tentarei dar uma explanação geral e rápida das outras correntes para entendermos por completo.

  • Pré-milenismo:

Os pré-milenistas, antes de tudo, seguem uma linha de interpretação mais literal das Escrituras. Portanto, as conclusões que são feitas acerca desta posição, grande parte delas, são argumentadas nos textos bíblicos de forma literal. É importante discernirmos isto para termos um melhor entendimento de como há duas interpretações tão diferentes em um texto só.
O coração do pré-milenismo se dá na crença de que o reino terreno de Cristo será feito pelo próprio Jesus Cristo em um período de aproximadamente mil anos onde Cristo, presentemente em carne e osso, estará reinando na terra durante esse tempo. Portanto antes do milênio começar Cristo deverá ter voltado. Sua crença de baseia no texto de Apocalipse 20:4-6.
Dentro dessa ideia temos os seguintes pensamentos/características desta linha:
- haverá uma ressurreição antes do milênio (entende-se então que é depois da tribulação, porque o milênio ocorre depois da tribulação), e depois dos mil anos haverá a ressurreição dos descrentes.

- o milênio é considerado um reino futuro, que ainda irá acontecer.
- acredita-se que tudo se iniciará com o “evento cataclísmico” da volta de Cristo
- o milênio será um período de paz mundial, harmonia universal (inclusive com os animais). Período que os santos reinarão na terra.
No meio pré-milenista há outra divergência quanto ao lugar de Israel no reino milenar. As posições são:
- dispensacionalismo: acreditam que todas as promessas que foram feitas a Israel vão ser cumpridas em Israel (nação).
- não-dispensacionalistas pré-milenistas (pré-milenistas históricos): acreditam que Israel herdará as promessas sim, mas estando na igreja.
De forma geral esse é o pensamento dos pré-milenistas. Como o meu foco aqui não é expor todas as linhas, mas apenas explicar mais detalhadamente o amilenismo, não vou aprofundar.

  • Pós-milenismo

Diferentemente do pré-milenismo, o pós-milenismo não observa os textos bíblicos a respeito deste assunto de forma tão literal. Os pós-milenistas interpretam esses textos de forma mais simbólica.
A visão pós-milenista é uma visão conhecida como “otimista”, pois acreditam que a pregação do evangelho obterá um sucesso tão considerável que o mundo será convertido a Cristo. O reino de Cristo completará e será universal em toda a terra.
Características/pensamentos desta visão:
- Segundo o texto de Marcos 3:27, eles acreditam que na primeira vinda de Cristo Ele amarrou o valente, portanto, agora o evangelho está “livre para dominar todo o mundo”.
- normalmente são preteristas, ou seja, acreditam que os eventos de Mateus 24 e 25 e os eventos descritos no livro de Apocalipse se cumpriram no primeiro século da era cristã.
- acreditam que o reino está crescendo de forma gradual (otimismo) segundo Mateus 13.
- Entendem que o milênio é um período prolongado de tempo em que Cristo, embora ausente, Ele reina sobre o seu povo aqui e agora, e este reino está tendo sucesso. Está se expandindo. E o objetivo é que o reino de Cristo tome toda a terra.

  • Amilenismo

O termo “amilenismo” significa literalmente “não-mil anos”. A posição não defende a ideia de que a Bíblia fala que existe mil anos literais (pré-milenismo) e nem de que será um período de paz, tranquilidade e justiça sobre a terra antes do retorno de Cristo. O amilenismo defende a crença de que o milênio citado em Apocalipse 20 refere-se ao período entre a primeira vinda e a segunda vinda de Cristo, ou seja, os nossos tempos.
O livro de Apocalipse precisa ser entendido de forma simbólica. Os seus capítulos não retratam acontecimentos consecutivos, mas sim os mesmos acontecimentos retratados de forma diferente. Como evidencia de que o livro se apresenta de forma figurada temos uma grande quantidade de números. Os números requerem uma interpretação mais figurativa no contexto de apocalipse, portanto entende-se que o livro precisa ser interpretado de forma figurada. E além dos números também existem várias simbologias.
O diabo hoje tem um poder limitado. No milênio Satanás estará preso; esse é o ensinamento bíblico. Porém devemos entender também que hoje, com o diabo no mundo, com sua influencia sobre as pessoas, seus poderes estão totalmente limitados. Ele tem muitas maldades em mente a fazer, porém ele não tem o poder suficiente para fazê-lo, e por isso está limitado. Esse é o sentido da prisão de Satanás quando se refere ao milênio. Desde o tempo da vinda de Cristo, onde Ele amarrou o valente, até a Sua volta ele estará preso, limitado; até que Cristo volte gloriosamente e o mande para o lago de fogo.
O irmão Cleómines A. F. descreve muito bem em que sentido Satanás será solto, ele diz: Esta limitação, entretanto, terá fim, de certo modo, isto é, ele será solto (ou,quem sabe já esteja?); e quando for solto, isto será concomitante com a grande tribulação (MT 24.29-30), com a apostasia (II Ts 2.8), e isto por breve tempo (Ap.20.8), na iminência da volta do Senhor, que descerá dos Céus e destruirá o Anticristo e seus aliados. E então se seguirão o novo e a nova terra, onde, em justiça, habitaremos com o Senhor não por mil anos,para sempre (I Co 15.52).
Entende-se portanto que o milênio consiste no reinado espiritual de Cristo no Seu povo. Isto ocorreu na primeira vinda de Cristo onde o valente foi amarrado, e culminará na Sua volta em poder e glória como juiz. Além disso também existe o texto de 2 Pedro 3:8 que ele nos diz que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.”. O texto é claríssimo ao afirmar a não-literalidade dos mil anos. Algumas pessoas vem com o argumento: “Ah, se realmente formos considerar isso vamos ter que acreditar que Deus não criou o mundo em 6 dias, porque um dia pra ele é como mil anos”. Esse pensamento está totalmente equivocado. O contexto deste texto se dá exatamente no assunto da Sua vinda, portanto não há problema em se referir aos mil anos de Apocalipse como não literal e continuar crendo que o mundo foi criado realmente em 6 dias literalmente. A ideia se aplica ao assunto do contexto, não podemos expandir.
A primeira ressurreição de Apocalipse 20 é entendida como sendo a ressurreição espiritual dos incrédulos. Em toda a Bíblia é apresentada a ideia de apenas uma ressurreição, como, por exemplo: Jo 5:28-29, Dn 12:2; At 24:15.
Por fim, Berkhof faz uma análise interessante acerca do suposto convívio entre pessoas glorificadas e pecadoras. Ele diz: “É impossível entender como uma parte da velha terra e da humanidade pecadora poderá coexistir com uma parte da nova terra e de uma humanidade já glorificada. Como poderão os santos em corpos glorificados ter comunhão com pecadores na carne? Como poderão os santos glorificados viver nesta atmosfera sobrecarregada de pecado e em cenário de morte e decadência?”
Apesar de ser um assunto complicado e longo, tentei ao máximo passar a visão simples e enxuta da visão amilenista das Escrituras. Depois disto mostrado, espero que a cada dia que passe tenhamos mais confiança no Deus que uma vez prometeu o messias e cumpriu a promessa. Esperemos nele agora a volta do glorioso filho Cristo Jesus para nos levar e viver com Ele eternamente. A nossa confiança não está apenas baseada no futuro, mas no passado também.
Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Graça Irresistível

Por Danyllo Gomes

Nenhuma doutrina é tão bem planejada para preservar o homem do pecado quanto a doutrina da graça de Deus – Charles Spurgeon

Antes de tudo, é importante saber o que se entende por “graça irresistível”. Existem pessoas – equivocadas – que acreditam que essa “graça irresistível” é como se Deus não desse outra escolha e as obrigasse, mesmo contra a vontade delas, ao arrependimento. No entanto, graça irresistível não significa isso. Graça Irresistível significa que Deus, através da Sua graça, retira as escamas dos nossos olhos, retira os tampões dos nossos ouvidos, e assim conseguimos ver a maravilhosa, excelente, excelsa, magnífica graça e também o amor de Deus, e podemos ouvir o maravilhoso evangelho do Seu filho, a saber, Jesus Cristo. E desse modo, não temos outra escolha a não ser abraçar esse Deus que é maravilhoso, e agora viver para sempre o glorificando. Isso é o que significa graça irresistível.

                Como bem sabemos, Deus é soberano e nada foge da Sua vontade. Esse é o outro princípio ao qual a graça irresistível está atrelada. “Mas o nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz” é o que diz o Salmo115:3. Quando Deus, na Sua soberana vontade, decide cumprir algo, ninguém pode resisti-lo. Ninguém pode mudar ou resistir aos decretos de Deus. A doutrina da depravação total é absolutamente necessária à graça irresistível. Como nós, mortos nos nossos delitos e pecados (Ef 2:5), podemos enxergar a Deus? Não podemos! O ponto de partida é Deus. Deus que precisa sobrepujar a nossa rebelião, como Tito 3:5 diz: “não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo”. Não por nossa justiça, não por nada que tenhamos feito, mas segundo a sua misericórdia nos regenerou pelo Espírito Santo. Sem a Graça irresistível não seria possível enxergarmos a nossa miséria e a graça e misericórdia do Senhor.
               
                Agora você pode estar se perguntando: “Ah, mas onde fica a liberdade do homem para saber se ele quer a Cristo ou não?”, a resposta é: se fossemos usar nossa liberdade para chegar até Deus, nunca chegaríamos. Sempre resistiríamos a Ele. Sabe por quê? Porque o nosso coração está cativo ao pecado, é escravo do pecado e não temos nada que nos faça enxergar algo fora do nosso pecado. O próprio Cristo afirma que as pessoas que vão a Ele são as que o Pai enviar (João 6:44), ou seja, Deus pelo Espírito Santo leva as pessoas a Cristo. A conclusão que tiramos então, é que até a nossa liberdade está corrompida, e é necessário uma intervenção divina para enxergarmos a Deus.
               
            John Piper faz uma ótima análise a respeito deste assunto. 2 Timóteo 2:24-25: “e ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente; corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade”. Piper escreve: “Aqui, como em João 6:65, arrependimento é chamado de dom de Deus. Perceba, ele não está meramente dizendo que a salvação é um dom de Deus. Está dizendo que o pré-requisito para a salvação também é um dom. Quando uma pessoa ouve um pregador chamá-la ao arrependimento, ela pode resistir a esse chamado. Mas se Deus conceder-lhe arrependimento, não poderá resistir porque o dom é a remoção da resistência. Não sentir vontade de se arrepender é o mesmo que resistir ao Espírito Santo. Assim, se Deus concede arrependimento, isso é o mesmo que remover a resistência. Esse é o motivo de chamarmos essa obra de graça irresistível. NOTA: Deveria ser óbvio a partir disso que a graça irresistível nunca implica em Deus forçar-nos a crer contra a nossa vontade, senão teríamos uma contradição de termos. Pelo contrário, a graça irresistível é compatível com a pregação e testemunho que tentam persuadir pessoas a fazer o que é racional e o que irá de acordo com  seus melhores interesses.” [1]

              Quando tratamos de evangelismo e salvação, temos a consciência de que é necessário uma “chamada” (1 Coríntios 1:23-24). Entretanto, essa chamada tem dois lados: a chamada geral e a eficaz. Quando falamos da chamada geral, é a chamada que diz respeito à proclamação do evangelho no mundo. Paulo em Romanos 10:14 diz: “Como pois invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não há quem pregue?”. Em toda a Bíblia vemos a necessidade da pregação do evangelho para as pessoas (Mateus 11:28; 22:14); esse é um lado do chamado. Porém, existe o outro lado, que é nomeado de chamada eficaz. A chamada eficaz diz respeito ao momento ao qual a proclamação do evangelho faz efeito no ouvinte. É a consciência sendo tomada pela miséria humana e reconhecendo a necessidade de se voltar para Deus. A chamada eficaz é uma ação interna que Deus faz no coração do homem caído. Romanos 8:30 afirma: “e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”. Ou seja, aqueles aos quais Deus predestinou, na eternidade ele os chama, mas esse chamado é interno, e não apenas externo. Aqueles que são chamados, consequentemente são justificados, e consequentemente são glorificados. Portanto, é óbvio acreditarmos que esse chamado ao qual o texto de Romanos se refere é ao chamado da salvação. Essa chamada eficaz é operada no coração do homem para o novo nascimento. A Confissão de Fé de Westminster explica da seguinte forma: “aprouve Ele [Deus], no tempo por Ele determinado e aceito, chamar eficazmente, por Sua Palavra e por Seu Espírito, daquele estado de pecado e de morte, em que estão por natureza, à graça e salvação por meio de Jesus Cristo; iluminando suas mentes espiritual e salvificamente para entenderem as coisas de Deus; removendo seus corações de pedra e dando-lhes um coração de carne; renovando sua vontade e, por Seu infinito poder, determinando-lhes o que é bom, e eficazmente atraindo-os a Jesus Cristo; mas de tal forma que eles vêm livremente, sendo para isso disposto por Sua graça. (CFW, X, § I)”.

Por fim, é interessante vermos o que John Stott fala a respeito do seguinte versículo: “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus” 1 João 5:1. Stott diz: “A combinação do tempo presente (crê) com o particípio (é nascido) é importante. Ela mostra claramente que a fé é a consequência, e não a causa, do novo nascimento. Nossa atividade contínua de crer é o resultado e, portanto; a evidência de nossa experiência passada do novo nascimento, pela qual nos tornamos e permanecemos filhos de Deus.” Concluindo, só temos salvação através da fé, fé é dom de Deus e só a temos porque nascemos de novo, só nascemos de novo porque a graça de Deus é irresistível.

Soli Deo Gloria.



domingo, 2 de dezembro de 2012

Sabedoria é tudo?

Por Danyllo Gomes


Eclesiastes 2:12-13,16-17

Que livro! Livro sábio, honesto, verdadeiro, santo, cheio de Cristo. A cada palavra lida desse livro é possível ver Cristo. Você precisa mais de Cristo. Você nunca ficará totalmente saturado e Cristo. Onde você tem O buscado? Você precisa de Bíblia, Palavra de Deus, único absoluto. Local onde vemos quem somos e quem Deus é. O pregador (Tradução de “Eclesiastes”) coloca o ser humano no patamar máximo onde ele pode chegar, e mesmo nesse máximo, o ser humano não é completo. Sempre falta algo. Refletindo na sabedoria, loucura e insensatez o pregador chegou a pensar: o que o sucessor do rei pode fazer que já não foi feito antes? Ou seja, de que adianta tanto empenho em algo que vai acabar no mesmo? O pregador percebeu que assim como a luz é superior as trevas a sabedoria é superior à insensatez. Como a luz é para as trevas? A luz ela retira as trevas; onde tinha trevas, a luz faz desaparecer a treva. O mesmo acontece com a sabedoria: quanto mais sabedoria, mais desaparece a insensatez. Assim também como a luz nos ilumina e guia (as trevas em nada nos ajuda), a sabedoria nos ilumina e guia. A luz nos faz ver o que existe ao nosso redor; ela nos ajuda a enxergar com maior clareza a realidade. A sabedoria também nos proporciona isso: nós conseguimos enxergar a realidade de forma mais clara com sabedoria. Tantas outras aplicações poderia trazer, mas no fim a conclusão iria ser a mesma: a sabedoria, com certeza, excede à estultícia (insensatez).

A pergunta ainda continua: sabedoria é tudo? Os versos 16 e 17 nos respondem. Para o pregador, buscar sabedoria terrena também é vaidade. Tanto o sábio como o insensato morrerá, perderá suas memórias e sua vida, e a sabedoria onde ficará? Vai junto com os dois pra o caixão. Tanto o grande sábio quanto o menor insensato morrerão, e o que eles tem nada levarão consigo: ou sua sabedoria ou sua insensatez.

Nós precisamos correr para Cristo. Não devemos correr atrás da maior sabedoria do mundo, porque isso é vaidade, isso é correr atrás do vento. Precisamos correr para Cristo e clamar para que Ele nos dê sabedoria do Céu. Essa sim levaremos conosco na hora de nossa morte.

Soli Deo Gloria

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma oração, uma confissão.

Eu creio num Cristo que morreu na cruz pelos os meus pecados. Que ressuscitou ao terceiro dia. Creio naquele que veio como homem e não pecou. Foi bom e digno de glória e sofreu a consequência dos nossos pecados. Conseguiria eu ou você suportar a ira que era destinada a nós pecadores? Claro que não!
Conseguiriamos nós irmos a Cristo? Não! Eramos caídos, sua morte de cruz fez com que fossemos atraídos a Ele.
Glória a Deus por sua graça e misericórdia, as quais são impossíveis de compreender.
A minha carne é inimiga da tua santidade e do teu carater, mas teu Espírito guia-me por teu caminho e a regeneração me dispõe para buscar santidade.

Que o Senhor complete a sua obra em nós.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Anjos

Por Danyllo Gomes


QUAL A IMPORTÂNCIA DO ASSUNTO?

A crença em seres espirituais está espalhada em todo o mundo desde a época antiga. Em toda época, tempo, local existe alguma crença sobre seres espirituais que interagem com as pessoas. Crer-se que existem alguns seres espirituais que ficam entre os humanos e o Ser supremo. Nos últimos tempos começou um levante a respeito deste assunto ao redor do mundo; prova disso é o surgimento de vários filmes e contos sobre seres espirituais. A cada dia isso fica mais comum.

Apesar de vivermos numa sociedade cética, com muita tecnologia e ciência não se discute muito a existência desses seres. Porém, se juntarmos todos os saberes sobre os seres espirituais não vamos ter a visão correta sobre eles. Temos muita variedade de crenças: uns pagam promessa para espíritos, outros acreditam que determinadas ações são espíritos de mortos, outros sentem medo, outros são devotos e assim por diante. A crença sobre esse assunto é uma salada de frutas. Diante disso precisamos saber qual a visão correta sobre o assunto, como, por exemplo, quem é Deus? Os espíritos são maus ou bons? Existem espíritos bons? Existem espíritos maus? Espíritos podem voltar à vida em outra pessoa? É possível se comunicar com eles? Todas essas perguntas e várias outras tentarei explicar ao longo do estudo. Tentarei buscar na Bíblia o que O Senhor nos fala sobre esses seres.
Wayne Grudem, na sua Teologia Sistemática define anjos da seguinte forma: “são seres espirituais criados, dotados de juízo moral e alta inteligência, mas desprovidos de corpos físicos”. E demônios: “são anjos maus que pecaram contra Deus e hoje continuamente praticam o mal no mundo”. Diante disso é importante observarmos que tanto anjos quanto demônio são seres criados por Deus. Entretanto, demônio são seres criados por Deus que se rebelaram contra Ele.

      Os anjos são seres criados
Os anjos não são eternos, ou seja, eles nem sempre existiram. Eles vieram a existência através da criação de Deus. O próprio Paulo nos diz que Deus criou todas as coisas, tanto as visíveis quanto as ‘invisíveis’. Também sabemos que os anjos são seres morais, isto é aprovado através do acontecimento que alguns pecaram e foram condenados. (2 Pe 2:4; Jd 6). Como bem sabemos anjos são seres espirituais, ou seja, não possuem um corpo físico (Lc 24:39). Portanto, nós seres humanos não podemos vê-los, a não ser que Deus abra nossos olhos para enxerga-los. Eles não são revelados quando estão executando sua função de nos proteger (Sl 34:7; Hb 1:14) e quando estamos juntos em adoração ao nosso Deus (Hb 12:22). Contudo, anjos aparecem em formas corpóreas nas Escrituras.

      Outros Nomes dado aos anjos: filhos de Deus (Jó 1:6; 2:1); santos (Sl 89:5,7); espíritos (Hb 1:14); vigilantes (Dn 4:13, 17, 23); tronos, soberanias, principados, potestades (Cl 1:16) e poderes (Ef 1:21).

     “Subdivisão” dos anjos:
- Querubins: foram os anjos que foram encarregados de proteger o jardim do Edén (Gn 3:24). Normalmente são caracterizados como os seres mais próximos de Deus.
- Serafins: são caracterizados pela constante adoração ao Senhor.
- Seres viventes: também nos é apresentado outra “classe” de seres espirituais que são chamados de seres viventes. Eles representam toda a criação de Deus e adoram a Deus continuamente ao redor do Seu Santo Trono.

      Organização dos anjos
A Bíblia descreve uma organização/hierarquia entre os anjos. Por exemplo, o anjo Miguel é denominado “arcanjo” o que descreve uma autoridade e soberania acima dos outros anjos. Ele também parece ser o líder do exército evangélico (Ap 12:7-8). Existe também outros fatos que descrevem o que a posição de “arcanjo” para Miguel proporciona, porém não podemos ter a certeza se Miguel é o único arcanjo existente.

      Localização dos anjos:
Como bem sabemos anjos são seres criados, e, portanto tem as mesmas características de seres criados. E uma das características desses seres é de estar em um só lugar de cada vez. Os anjos não são onipresentes, ou seja, não estão em todo lugar; diferentemente de Deus. Isso é comprovado no texto de Lucas 1:26 que descreve o anjo sendo enviado a um lugar específico. Outro texto que comprova esse fato é Daniel 10:12-14.

      Quantidade dos anjos:
Ao contrário do que muita gente pensa a respeito da quantidade dos anjos que pensam que existem infinitos anjos, a Bíblia nos relata um número incontável, mas não infinito. Ao longo da Bíblia vemos vários relatos, como por exemplo: Dt 33:2; Sl 68:17; Hb 12:22; Ap 5:11.

      Anjo da guarda individual, eles existem?
Criou-se um mito ao longo dos anos que afirma que cada pessoa na terra tem um anjo da guarda individual. A função desse anjo específico é guardar as pessoas de algum mal que lhe possa acontecer, mas a pergunta é: o que a Bíblia fala sobre isso? No Sl 91:11-12 afirma que Deus nos envia anjos para nos proteger. Um dos textos que são usados para se fundamentar esse mito é em Mt 18:10; quando este texto é mal interpretado teremos um mito. E existe mais alguns texto, portanto, não é Bíblico a ideia de que existe um anjo da guarda para cada pessoa no mundo.

      Casamento dos anjos
Não muito o que se especular sobre esse assunto. Em Mt 22:30 temos Mateus falando que depois da ressurreição as pessoas não se casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos do céu”. O texto é claro quanto ao ensino de que os anjos não se casam. A maioria dos teólogos acreditam nisso a Bíblia é bem clara.

      O poder dos anjos
Os anjos não são onipotentes, porém são seres mais poderosos que nós hoje. Eles são considerados mais poderosos que os homens rebeldes. Hoje, como humanos terrenos nós somos considerados inferiores a eles em poder (poder se refere à luta contra Satanás e seus demônios), porém quando formos ressuscitados vamos ser maior que Eles. Textos para consulta: Sl 103:20; Cl 1:16; 2 Pe 2:11; Hb 2:7 e vários outros.

CRIAÇÃO DOS ANJOS

A crença mais comum a respeito de quando os anjos foram criados é que foi antes do sétimo dia. Gn 2:1 e Ex 20:11 nos indica que tudo que foi criado foi feito antes do sétimo dia.

É possível acreditarmos que foram criados no início da criação, pois lemos em Gn 1:1 “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Isso indica que os anjos foram criados pois no verso 2 o texto indica que a terra estava sem forma e vazia, ou seja, Deus ainda não tinha criado nada. Porém, o verso 3, se formos para o original, o texto nos vai indicar que a terra entrou em ‘caos’. Eu creio que esse caos se deve a queda dos homens, mas para os anjos caírem antes do verso 3 precisamos acreditar que eles existiam, que é o que o verso 1 nos pode indicar. Portanto, acredito eu que os anjos foram criados antes do sétimo dia, e mais especificamente no primeiro verso de Gênesis. Outra prova temos me Jó 38:6-7 que diz que os anjos (“filhos de Deus”) rejubilaram e cantavam alegremente quando Deus fundou as bases da terra para criá-la. A pergunta é: como os anjos podem ter cantado alegremente e rejubilado com a criação do mundo se não tivessem sido criados?

Porém precisamos ter a consciência que não podemos ter além de ideias sobre a criação dos anjos; não podemos ter nada concreto a esse respeito.

Para que a serpente tentasse Eva o pecado já deveria ter entrado no mundo. Alguns acreditam que esse pecado dos anjos ocorreu depois do sexto dia da criação, mas eu acredito que isso aconteceu nos primeiros versos de Gênesis como falei anteriormente (para aprofundar a sua visão quanto à criação dos anjos e sua queda indico Soli Deo Gloria, Paulo Anglada, Editora Knox).

NOSSA RELAÇÃO COM OS ANJOS

A doutrina dos anjos é um ensinamento claro nas Escrituras, e nós na nossa arrogância não temos o direito de supor que esse ensinamento não tem nada haver conosco hoje ou que não tem nenhum influencia nas nossas vidas. Vários cristãos tem sido enriquecidos com esses ensinamentos por causa da consciência que de existência e da realidade angelical criada por Deus. Uma das grandes importâncias que tem a crença nessa doutrina verdadeira é o fato de que Hebreus nos mostra que quando nos ajuntamos em adoração todos os anjos se juntam a nós para glorificar e engrandecer o nosso Senhor. Apesar de não vermos e sentirmos isso concretamente o nosso senso de reverencia e grandiosidade do nosso Senhor com certeza aumenta.

Ao longo do dia precisamos ter a consciência de que os anjos estão vendo se estamos desobedecendo ou obedecendo ao Senhor. Às vezes, só ter a consciência que vamos pecar e ninguém vai ver nem se entristecer pode mudar; precisamos ter a consciência que os anjos ficam felizes ou tristes quando pecamos, o que nos deve levar à não errar. Porém, quando nos sentimos entristecidos ou desanimados com a vida cristã porque pensamos que nossa vida não é testemunhada por ninguém essa doutrina também pode mudar esse quadro. Podemos nos consolar com o ensinamento que os anjos estão torcendo por nós, estão torcendo para que vencemos essa guerra contra o pecado, e isso, com certeza, nos trás muito incentivo a continuar nessa batalha.

Em momentos difíceis podemos acreditar que o Senhor “enviou-nos” anjos para nos socorrer como fez na cova dos leões com Daniel (Dn 6:33); quando libertou os apóstolos da prisão (At 12:7-11); e ajudou Jesus no deserto num momento de tristeza (Mt 4:11).

O Salmo 91:11-12 diz “Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra”. Será que o Senhor nunca enviou Seus anjos para lhe livrar de algo que poderia ter acontecido? Algum acidente? Algo do tipo? Pense nisso. Precisamos ter a consciência que esses seres grandiosos criados pelo nosso Senhor está em contato conosco todos os dias.