sábado, 31 de março de 2012

As invasões bárbaras e a Igreja Cristã

Por Danyllo Gomes


As invasões bárbaras se deram pelo fato da política de Roma estar fraca. Diocleciano, antes de Constantino, tentou destruir o Cristianismo, mas Constantino viu que não podia destruir e fez da igreja um aliado da igreja. Para muitos Constantino não se converteu ao cristianismo (por vários fatos descritos no livro), pelo contrário, crer-se que ele usou o Cristianismo apenas como estratégia política, porém o fato é que Constantino iniciou uma política de favorecimento à igreja. Após a linhagem de Constantino tentarem continuar o trabalho pai, levantou-se Juliano. Com as influencias do platonismo, Juliano retirou da igreja cristã alguns privilégios que Constantino e sua linhagem tinham oferecido ao Cristianismo, mas durou pouco tempo. Como sabemos, a popularização do Cristianismo teve suas vantagens e desvantagens. O governo estaria apoiando os cristãos, mas por outro lado o governo queria interferir em assuntos teológicos, a igreja começou a ser influenciada pelo paganismo e vários outros fatores.
               A partir do século IV começaram as invasões bárbaras através do godos bárbaros. Depois houve a invasão dos visigodos, os vândalos arianos. Após esses reinos enfraquecidos quem assumiu foram os ostrogodos. No século V os lombardos, borgonhenses arianos e os francos pagãos assumiram. Hordas mongóis assustavam a igreja ocidental.
                Gregório conseguiu alcançar à Armênia. Frumêncio e seu irmão pregaram na Etiópia. As Ilhas Britânicas também foram alvo de evangelismo, provavelmente através dos soldados e mercadores romanos; Pelágio, o arquiinimigo de Agostinho de Hipona começou a ensinar à igreja céltica as heresias. Através de Úlfilas, um cristão ariano, o evangelho chegou aos godos. Esse homem fez uma obra tão boa, que muitos dos bárbaros que chegavam, vieram como cristãos. Isso trouxe várias dificuldades para a igreja do Ocidente, que deveria agora converter essas tribos do paganismo, além de levar o evangelho aos visigodos da Espanha e aos lombardos do arianismo, pois eram arianos. Já os borgonheses sofreram com Martinho de Tours, que teve um papel mais “violento” quanto ao cristianismo. Ele saiu derrubando bosques onde eram cultuados deuses pagãos; e o seu trabalho não teve resultado. Após a conversão de Gregório de Tours, todo o povo franco aceitou o cristianismo. Patrício trabalhou entre os celtas da Irlanda, onde criou um dos maiores centros cristãos. Da Irlanda Columba partiu rumo à Escócia. Ao final o cristianismo celta conquistou toda a Escócia e Irlanda. Os cristãos celtas e romanos se tornaram rivais por causa da aliança com os anglo-saxões.
                Logo após esse grande evangelismo dos povos pagãos, a igreja cristã começou a enfraquecer-se, pois os pagãos que chegavam não eram devidamente doutrinados e nem passaram por um período de prova. Trouxeram seus cultos pagãos, seus costumes pagãos e introduziram na igreja, com isso o paganismo se infiltrou na igreja cristã. A igreja cristã começou a enfraquecer-se doutrinariamente  e abrindo as portas para outras religiões tomarem o lugar onde o cristianismo estava. O islamismo começou a se propagar e os lugares que eram considerados os maiores centros teológicos do mundo, começaram a serem tomados pelos mulçumanos.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Era das Perseguições

Danyllo Gomes


Dentre tantas frases, acho que a melhor que poderia definir a função dos mártires na perseguição é “O sangue dos cristãos é semente”. Tertuliano de Cartago, através dessa afirmação retrata praticamente a importância dos mártires. Com o sangue desses homens a fé cristã se espalhou, através dos seus testemunhos e das suas mortes.
A fé cristã se diferenciava da religião pagã de várias formas, porém a principal é o tamanho desespero que a religião pagã traz. Um exemplo disso é o deus Lar que o Pr. Marcos Graconato exemplifica na sua aula. Os desesperos dessas religiões retratam exatamente o oposto da fé cristã. Diferentemente das religiões pagãs, a fé cristã ela se apresentava como uma religião de paz, onde as pessoas não tinham desespero para com seu Deus. Então os pagãos depois de um longo dia de perseguição, chegavam às suas casas e se perguntavam: “Porque aquela pessoa estava tão tranqüila para morrer, e eu não tenho essa tranqüilidade, essa paz. O que é que ela tem e eu não tenho?”.  E a morte dos mártires foi de grande importância para a expansão, pois através deles as pessoas chegavam em casa, se indagavam e depois gostariam de ter a mesma paz que aqueles homens tinham. Após algum tempo o império percebeu que com essas mortes essa fé estava se espalhando, em vez de diminuir. Então eles começaram a torturar os cristãos, para que eles apostatassem de sua fé.
Interessante observarmos que quem perseguiu os cristãos primeiro forma os judeus, e não o império.  O motivo pelo qual o império não perseguiu os cristão primeiramente foi porque eles pensavam que o cristianismo era uma seita do judaísmo, assim como os saduceus. Como o judaísmo era uma religiolícita, ou seja, era uma religião legalizada pelo império, e como o cristianismo era considerada uma seita dessa religião não houve perseguição por parte do império.
Agora, entrando realmente na história, vamos analisar o primeiro século. No primeiro século houveram duas perseguições, uma por parte de Nero e outra por parte de Domiciano. E vale salientar que essas perseguições não foram por causa da fé cristã, mas por motivos. Explicarei com mais detalhes a seguir:
·         Nero
A perseguição por parte de Nero aconteceu da seguinte forma: Nero era meio louco e tinha a idéia de construir uma “Nerolândia”, uma cidade dele. Tácito diz que o próprio Nero coloca fogo numa parte de Roma por dois motivos: primeiro porque ele queria construir sua cidade em cima dessa que ele estava destruindo, e segundo porque ele estava buscando inspiração. Com isso o povo cai em cima de Nero por ele ter colocado fogo na cidade. Mas Nero observou que o bairro que tinha mais cristãos foi o menos afetado pelo fogo, e ele coloca a culpa nos cristãos. Nero diz ao povo que foram os cristãos que atearam fogo na cidade, e a partir daí começa as perseguições. Essa perseguição foi em um pequeno período de tempo, mas foi bastante sangrenta. Neste tempo foi que houveram a utilização dos circos, onde Nero utilizava o corpo dos cristãos queimados para iluminar o local.
·         Domiciano
Já Domiciano perseguiu por causa de impostos que os cristãos não pagavam. Havia o templo de Júpiter Capitolino, e os judeus se recusavam a pagar os impostos para a manutenção deste templo, e com isso os sacerdotes estavam ficando sem manutenção, isso acendeu a ira do imperador e houve outra perseguição.
Após essas perseguições houve um tempo de vazio sobre a igreja cristã. Sabe-se pouca coisa entre os períodos de 65/68 até 110.
No segundo século, durante o império de Trajano começou outra perseguição por parte do império. Plínio, o moço, da Bitínia, enviou uma carta a Trajano informando-o que estava se espalhando uma superstição (o cristianismo) que estava esvaziando templos e os vendedores de sacrifícios estavam se empobrecendo porque as pessoas não estavam mais fazendo sacrifícios. Essa perseguição foi feita de modo interessante, pois ela é diferente das outras. A idéia de da perseguição de Plínio não é de ir atrás dos cristãos, mas se alguém denunciasse um cristão o império começava a investigar a vida do acusado. O acusado poderia provar que não era cristão se ele adorasse outros deuses e negasse a sua fé. Um Inácio de Antioquia morreu no governo de Trajano.
Após Trajano, Marco Aurélio governou Roma e também perseguiu os cristãos. Na época do seu império havia muitas pestes, doenças e fome e Marco Aurélio acreditava que todas esses acontecimentos ruins estavam ocorrendo porque ele não estavam adorando corretamente os seus deuses.  Ele acreditava que o fato deles não estarem adorando seus deuses devidamente era por causa dos cristãos, e a partir daí iniciaram-se as perseguições. A perseguição do imperador Marco Aurélio é considerada uma das mais sangrentas da história, creio que por causa da influência que ele sofreu de Fronto. E em Lyon, na França, no ano de 177 também houve uma grande perseguição.
Por volta do ano 250 Décio viu que os cristãos estavam sendo uma ameaça para o império estado, por isso ele exigiu uma oferta anual de sacrifícios aos deuses e ao imperador, e quem fizesse essa oferta ganharia o chamado ‘libellus’, porém. Essa perseguição durou até a morte de Décio.
Por ideais políticos, Diocleciano foi o imperador que perseguiu mais fortemente os cristãos. Diocleciano ordenou o fim das reuniões cristãs, a destruição das igrejas, a deposição de oficiais da igreja, a morte dos fiéis a cristo e a queima das Escrituras. Após um tempo também houve a obrigatoriedade de sacrifícios aos deuses e quem recusasse estava sujeito a pena de morte. Depois que Diocleciano se retirou, a perseguição diminuiu.
Galério, em 311 deu tolerância aos cristãos, desde que não violassem a paz do império. Porém a perseguição não cessou totalmente, só após Constantino e Licínio.
A perseguição da igreja teve seus pontos positivos e negativos. Com a perseguição o evangelho pôde se espalhar pelo império através dos mártires; houveram as “peneiras”, pois só quem era fiel a Cristo era quem era perseguido e não abria mão da sua fé. Houveram pontos negativos pelo fato do povo de cristo sofrer, mas sabemos que o Senhor é soberano e que tudo que acontece, principalmente com sua igreja, é somente para Sua glória; Ele tem propósito em tudo. Que o Senhor no ajude a sermos como os mártires, que no nosso dia-a-dia possamos morrer para nós mesmos e se alegrar em Cristo. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.” Romanos 7:24-25. Possamos ter Paulo como exemplo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Plenitude dos tempos (Gálatas 4:4)

Por Danyllo Gomes



O tema "A plenitude dos tempos" é baseado no texto de Gálatas 4:4, e quando estudamos entendemos que Cristo foi enviado no "tempo devido". O termo plenitude significa literalmente "completude", com isso o estudo tenta explicar que Cristo veio no momento certo, na hora que deveria, Ele veio na Plenitude dos tempos; se Cristo fosse enviado em qualquer outro momento da história o cristianismo não teria o mesmo impacto como tem hoje. Temos que deixar claro que todos esses acontecimentos, todas essas "estratégias" usadas para a disseminação do evangelho não acontece por acaso, pois sabemos que quem está por detrás disso é o nosso grande Deus. Como diz Herminster Maia: "Deus não intervém na história, Ele controla a história". Deus é soberano. Esse é o objetivo de se estudar esse tema, de vermos o quanto Deus é soberano e o quanto precisamos Dele.

Mas como vamos saber se realmente era a Plenitude dos tempos? Se realmente era o momento que Cristo deveria ter sido enviado? São exatamente essas respostas que vamos encontrar nesse estudo. Ele nos dá alguns argumentos provando que realmente era esse o momento certo de Cristo vir. Vou tentar compartilhar rapidamente eles.

O que eu achei mais interessante dos argumentos foi a contribuição da Religião Judaica. Como é interessante o que o nosso Senhor faz para que a Sua palavra seja pregada. Gosto de ilustrar esse argumento dizendo o seguinte: a religião judaica foi tipo que uma "terra arada" e o cristianismo foi a semente plantada nessa terra. Quando ocorreu a diáspora judaica, os judeus espalharam a idéia de que: iria vir um messias, e ele ia ser a esperança do mundo, ele ia ter a salvação. Essa era a idéia da religião judaica, e essa era a idéia que eles espalhavam por onde passavam. Então, quando o Cristianismo chegou com a idéia de que um messias (Jesus Cristo) era salvador, as pessoas que já tiveram contato com a religião judaica já iriam ter uma idéia desse salvador. Os cristãos tiveram uma maior facilidade de explicar quem é esse messias, o que ele veio fazer e todos os outros assuntos necessários. Então é como eu disse: os judeus prepararam a base, e os cristãos construíram a casa.Temos também o monoteísmo judaico, o sistema ético judaico (através dos dez mandamentos), temos o Antigo Testamente que foi de grande importância, a filosofia da história (que não acontecia como ciclos) e as sinagogas. Os judeus não foram escolhidos aleatoriamente.

Outro argumento é o do local certo, a Palestina. Mas por que a Palestina? A Palestina é um loca bastante estratégico, pelo fato de ficar bem no meio de vários locais de comércio. Era um local principal do Mediterrâneo. E a grande vantagem disso é que, como tinha um grande fluxo de pessoas diferentes, de locais diferentes, de culturas diferentes, e quando passavam na Palestina elas iriam ter contato com suas culturas, com as novidades, com o assunto que estivesse rolando por lá no momento. Então o que acontecia? Os viajantes, os comerciantes, ou seja lá quem for que passasse pela Palestina, iria ficar sabendo do que estava acontecendo, e o mais importante, não ia apenas ficar sabendo, mas levaria essa novidade para a sua terra, para a sua cultura,e assim, essa novidade se espalharia por vários e vários lugares. Agora, imagine que isso na época de Cristo, as novidades, seus milagres. Imagine agora na época de Paulo, os cristãos sendo perseguidos, o evangelho sendo pregado; imagine até onde chegaria essa novidade. A Palestina não foi escolhida por Deus aleatoriamente. 

O outro argumento usado é a Política Romana, onde afirmamos que a política usada em Roma favorecia à pregação do evangelho. E dentro do tema 'política romana' temos algumas subdivisões. 1. A política romana, desenvolveu no seu povo, uma idéia de unidade, uma idéia de unificação (exemplo de Alexandre o Grande). E essa idéia, pode parecer simples, mas foi de grande contribuição para com o evangelho. Cidadãos não-romanos, de raças diferentes, de locais diferentes, tinham a sua disposição a cidadania romana, que acarretava em vários benefícios. E essa idéia ajudou muito o evangelho, contribuindo com a idéia de que a igreja é o corpo de Cristo. Todo o mundo está perdido, e todo o mundo precisa de salvação. 2. Roma começou a expandir o império, e havia vários vilarejos onde o evangelho não havia chegado, por ser difícil a propagação do evangelho em lugares que não tinham acesso à Roma. Começou a ter piratas, as estradas ficaram perigosas, e isso dificultava a circulação dos cristãos. Porém, houve uma época de paz que tornou mais fácil a pregação do evangelho para os lugares mais longes. 3. Aqui temos a colaboração romana com as estradas construídas no império. Essas estradas foram de grande importância para a propagação do evangelho. 4. Os romanos tinham a prática de ter províncias, e isso facilitou a propagação do evangelho. Como haviam províncias romanas, os provincianos tinham acesso aos romanos e as suas idéias, dessa forma, os provincianos ajudavam a propagar o evangelho. 5. As vitórias de Roma sobre as outras nações influenciavam na propagação do evangelho. O que era que acontecia? Roma ganhava dessas nações, e as nações, que criam em seus próprios deuses acabam perdendo a fé neles, por perderem a guerra. Seguindo a perda da fé, eles ficam sem crença. Assim criava uma brecha para essa novidade (Jesus Cristo). Além disso tem as religiões de mistério, que era a maior rival do cristianismo. Todas essas religiões proclamavam um deus-salvador que exigiam sacrifícios. E quando o cristianismo chegou com as suas idéias (o sacrifício de Cristo), os indivíduos não achavam tão estanha. O modo como a política era praticada não foi por acaso.

Por fim, temos a contribuição intelectual dos gregos. Afirmamos aqui que a intelectualidade dos gregos acabaram ajudando a propagação do evangelho. Aqui também é dividido em algumas partes. 1. Primeiro ponto positivo foi a língua falada (grego). O evangelho precisava de uma língua universal, onde pelos menos a maioria das pessoas entenderiam. Sabemos da história de Alexandre o Grande, que conquistou um grande território, e seu objetivo era helenizar esse território. E dentro desse "helenizar" estar o falar uma língua só, para que possa ter um só entendimento. 2. A filosofia grega preparou o caminho do cristianismo porque destruiu todas as antigas religiões. A filosofia acabou substituindo a religião, mas sabemos que filosofia não satisfaz ninguém espiritualmente. Interessante que a filosofia buscava por Deus através de uma abstração intelectual, e nunca eles chegariam ao nosso Deus através da intelectualidade. E esse fracasso da filosófica em saber quem é Deus torna a mente humana mais pronta para entender uma melhor espiritualidade da vida. A filosofia grega também ajudou no fato e ter "duas visões do mundo", uma visível e outra invisível. 3. A religião foi uma parte onde os gregos prepararam a vinda de Cristo, através da sua filosofia sofistas destruídas e das suas religiões politeístas destruídas.

Soli Deo Gloria

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Bíblia não diz que Deus não quer que Ninguém Pereça?

R. C. Sproul



O apóstolo Pedro declara com clareza que Deus não quer que ninguém pereça.
Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para conosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pedro 3.9).

Como podemos encaixar este versículo na predestinação? Se não é a vontade de Deus eleger todos para a salvação, como pode então a Bíblia dizer que Deus não quer que ninguém pereça?
Em primeiro lugar precisamos entender que a Bíblia fala da vontade de Deus em mais de uma maneira. Por exemplo, a Bíblia fala do que nós chamamos de vontade soberana eficaz. A vontade soberana de Deus é aquela vontade pela qual Deus faz com que as coisas aconteçam com absoluta certeza. Nada pode resistir à vontade de Deus neste sentido. Por sua soberana vontade, Ele criou o mundo. A luz não poderia recusar-se a brilhar.

A segunda maneira na qual a Bíblia fala da vontade de Deus é com respeito ao que chamamos de vontade preceptiva. A vontade preceptiva de Deus refere-se a seus comandos, suas leis. E a vontade de Deus que façamos o que Ele ordena. Somos capazes de desobedecer a sua vontade. Na realidade, quebramos seus mandamentos. Não podemos fazer isso com impunidade. Fazemos isso sem sua permissão ou sanção. Ainda assim o fazemos. Nós pecamos.

Um terceiro modo que a Bíblia fala da vontade de Deus faz referência à disposição de Deus, ao que agrada a Ele. Deus não tem prazer na morte do ímpio. Existe um sentido no qual a punição do ímpio não traz alegria a Deus. Ele escolhe fazê-lo porque é bom punir o mal. Ele se alegra na justiça de seu julgamento, mas é “triste” que tal julgamento justo precise ser realizado. E algo como um juiz sentar-se na corte e sentenciar seu próprio filho à prisão.

Vamos aplicar estas três definições possíveis à passagem de 2 Pedro.
Se tomarmos a declaração compreensiva “Deus não quer que ninguém pereça”, e aplicarmos a ela a vontade soberana eficaz, a conclusão é óbvia. Ninguém perecerá. Se Deus soberanamente decreta que ninguém deve perecer, e Deus é Deus, então certamente ninguém jamais perecerá. Este, então, seria um texto de prova não para o arminianismo, mas para o universalismo. O texto, então, provaria demais para os arminianos.

Suponha que aplicamos a definição da vontade preceptiva de Deus a esta passagem. Então a passagem significaria que Deus não permite que ninguém pereça. Isto é, Ele proíbe o perecimento das pessoas. E contra sua lei. Se as pessoas fossem adiante e perecessem, Deus teria de puni-las por perecerem. Sua punição por perecerem seria mais perecimento. Mas como alguém se envolve em mais perecimento do que o perecimento? Esta definição não funcionará nesta passagem. Não faz sentido.

A terceira alternativa é que Deus não tem prazer no perecimento das pessoas. Isto se enquadra no que a Bíblia diz, em outros lugares, sobre a disposição de Deus em relação aos perdidos. Esta definição poderia servir nesta passagem. Pedro poderia simplesmente estar dizendo aqui que Deus não tem prazer no perecimento de ninguém.
Embora a terceira definição seja possível e atraente para ser usada na solução desta passagem, com a qual a Bíblia ensina sobre predestinação, há ainda um outro fator a ser considerado. O texto diz mais do que simplesmente que Deus não quer que ninguém pereça. A cláusula inteira é importante: “pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.”
Qual é o antecedente de nenhum? É claramente “nós” . Será que “nós” se refere a todos nós humanos? Ou se refere a nós cristãos, o povo de Deus? Pedro gosta de falar dos eleitos como um grupo especial de pessoas. Eu acho que o que ele está dizendo aqui é que Deus não quer que nenhum de nós (os eleitos) pereça. Se esse é o seu significado, então o texto exigiria a primeira definição e seria mais uma forte passagem a favor da predestinação.
De duas maneiras diferentes o texto poderia ser harmonizado com a predestinação. De maneira nenhuma sustentaria o arminianismo. Seu único outro significado possível seria o universalismo, que então entraria em conflito com tudo o mais que a Bíblia diz contra o universalismo.

Fonte: Eleitos de Deus – Editora Cultura Cristã – Pág 144-146 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Deus odeia só o pecado ou também o pecador?


Por Danyllo Gomes

Bem, há tempos que eu venho pensando, e pesquisando, e buscando fazer esse artigo. É impressionante a quantidade de igrejas hoje que os seus “crentes” não sabem nada sobre Deus, sobre o Deus que eles adoram. Usam “clichês” evangélicos, e as vezes o próprios clichês não condizem com a Bíblia, como é o caso do clichê que iremos analisar. Ele é bem conhecido: “Deus ODEIA o PECADO, mas AMA o PECADOR” (toda vez que me referir ao “pecador” estarei me referindo aos incrédulos, exceto no final onde farei uma exceção). Ao longo do artigo vamos analisar alguns textos para vermos se essa frase realmente é verdadeira.

Creio que alguns de vocês que estão lendo esse texto irão pensar: “aaah, mas é claro que essa frase é verdadeira, não tem nem o que se analisar aí”, ou, “não temos que nos preocupar com essas ‘besteiras’, temos que pregar o evangelho e pronto!”, ou qualquer outro pensamento que seja. Respondendo ao primeiro pensamento digo pra vocês que temos muita coisa a analisar nesse “clichê”. E ao segundo, sim! Devemos nos preocupar com análises como esta, porque é com base nela que vamos ver se nossas idéias realmente são bíblicas. E se essa frase estiver errada?! Se você fala essa frase pra muitas pessoas você estará mentindo pra elas.

Bem, antes de tudo devemos ter em mente que a doutrina que vamos analisar através da frase é a doutrina da Ira de Deus.

Há inúmeras passagens no Antigo Testamento onde vemos que Deus Se ira com o povo de Israel, vamos ver algumas delas:

Assim se acendeu a ira do SENHOR contra Israel, e fê-los andar errantes pelo deserto quarenta anos até que se consumiu toda aquela geração, que fizera mal aos olhos do SENHOR.” Números 32:13

Vamos pensar um pouco. A primeira sentença do versículo diz que ‘a ira do Senhor se acendeu contra Israel’. Sabemos que Israel não se refere a uma pessoa em si, mas a um povo, a um conjunto de pessoas. A partir do momento que a ira do Senhor se acende contra Israel, essa ira está sendo acesa em cima de que? Do povo de Israel! Aí nesse momento você pensa: “aah, mas a ira está sendo acesa por causa do pecado deles”. Certo, concordo com você, mas a ira está sendo derramada em cima de quem? Em cima do pecado do povo, ou em cima do próprio povo, ou seja, em cima das pessoas?! Quem está condenado ao inferno? O pecado ou o homem que peca? O homem está condenado POR CAUSA do pecado, e não o pecado está condenado POR CAUSA do homem. Quando nós andamos um pouco mais no texto nós vemos a condenação daquela ira, o texto diz: “...consumiu toda aquela geração...”. Pergunto mais uma vez: a condenação foi em cima de quem? Da geração, do povo! Não vejo como é possível o Senhor odiar o pecado, e amar aquele que comete o pecado, amar aquele que merece a condenação por causa do pecado. Nós temos que nos lembrar que antes de Cristo entrar em nossas vidas nós estamos debaixo da ira de Deus, Deus está irado com os nossos pecados. Deus odeia o pecado, e o pecador também.

Vamos agora para outro texto:

“A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de algum modo os afligires, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor. E a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; e vossas mulheres ficarão viúvas, e vossos filhos órfãos.” Êxodo 22:22-24

Pergunta: A ira do Senhor se acenderá sobre quem? Sobre pessoas! O Senhor matará quem? Pessoas! Creio que se for explicar todos os textos irei repetir tudo que coloquei no anterior. O princípio é o mesmo.

Vamos continuar analisando mais textos:

“Ide, e consultai o SENHOR por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do SENHOR, que se acendeu contra nós; porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem conforme tudo quanto acerca de nós está escrito.” 2 Reis 22:13

Pergunta: O furor do Senhor se acendeu contra quem? Pessoas!

“Porque tive vergonha de pedir ao rei, exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo pelo caminho; porquanto tínhamos falado ao rei, dizendo: A mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas o seu poder e a sua ira contra todos os que o deixam.” Esdras 8:22

Pergunta: A ira do Senhor é sobre todos os que o deixam, ok? Qual o único ser que pode deixá-lo? O homem! Do mesmo modo que Sua mão é sobre os que O buscam, a Sua ira é sobre os que O deixam.
Bem, agora vamos para a exceção que citei no início. A exceção é quando esse “pecador” é o cristão. Se você é cristão, você pode se perguntar: “ah, se Deus odeia pecadores, e eu sou salvo (lembrando que mesmo salvos nós ainda pecamos), como ele pode me odiar?”. Verdade, Deus odiou você até um certo ponto, mas calma, vamos por parte. Deus me odiou, eu fui alvo da ira de Deus, mas a diferença é que a ira do Senhor não foi acesa em cima de mim, foi em Cristo. Cristo no calvário foi quem pagou a dívida do meu pecado para com Deus. É como diz Gálatas 3:13: “...Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.” Então, quanto aos salvos em Cristo, a maldição que cairia sobre nós caiu em Cristo, e quanto aos incrédulos, eles mesmo vão pagar por seus pecados na condenação eterna.

Queridos, é uma palavra dura, mas é a verdade! Isso não são minhas idéias, é a Bíblia, eu provei a vocês. Vamos ter um pensamento lógico agora: se nós afirmamos a um incrédulo: “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”, sabe o que você estará dizendo a ele? Que mesmo ele pecador desse jeito que está, mesmo ele condenado ao inferno, mesmo ele pecando contra o Senhor e não se arrependendo, mesmo assim, Deus ainda o ama. Mas como é possível? Deus amar alguém e mandá-lo pro inferno? Se falarmos isso vamos estar dizendo a ele que ele não precisa mudar. Que mesmo ele pecador Deus ainda o ama, isso é mentira! Você pode estar pensando nesse momento: “aah, eu não digo nesse sentido.” Por favor, me diga qual a outra explicação que se tem acerca dessa frase? Qual?

A mensagem dessa frase realmente é sutil, não percebemos, por isso que disse no início do estudo que é importante analisarmos essa coisas que você pode chamar de ‘besteira’. Isso reflete na prática, isso reflete no evangelismo. Se vamos estar evangelizando da forma Bíblica ou não.

A cada dia que passa meu coração fica mais apertado com essas idéias que vão entrando na igreja de Cristo. Por Cristo, eu desafio vocês a analisarem todos os clichês “evangélicos” que existem e verem se realmente são Bíblicos. Não é porque é chamado “evangélico” que quer dizer que diz alguma verdade sobre o mesmo. Não é.


Pergunta: se Deus não ama o pecador, porque ele mandou Jesus então?
Reposta: Apenas para cumprir a promessa feita a Abraão.

Se você não é cristão e está lendo este artigo, não se assuste. Ainda há esperança. Seus pecados podem ser perdoados em Cristo. Arrependa-se dos seus pecados! Cristo pagou os pecados de alguns. Mas pergunte-se: pode ele não ter pago o meu? Por qual motivo? Arrependa-se, vá a Ele. Viva em arrependimento dos seus pecados, e deste modo você provará que ele morreu pelos seus pecados. Viva para Ele, viva com Ele, busque a Ele. Cristo disse: “...se alguém vem a mim, de modo algum o lançarei fora.” João 6:37

Abaixo deixarei um vídeo que desafio você a ver. Espero que tenha entendido. Como diz Gregório: “Se a verdade causa preocupação, então é melhor permitir que surjam preocupações que abandonar o caminho da verdade.”

Que o Senhor nos ajude a andar na Sua verdade, até mesmo nos mínimos detalhes da Sua verdade, para que desse modo Ele, e apenas Ele seja glorificado.

Soli Deo Gloria.