domingo, 17 de junho de 2012

Os Cânones de Dort

Por Danyllo Gomes



O Sínodo de Dort, com duração de 5 a 6 meses, ocorreu em 13 de Novembro de 1618. Foi considerado o maior dentre todos. Foi local de grandes controvérsias e confusões e da formulação de uma dos melhores documentos calvinistas. Philip Schaff escreveu: “A controvérsia arminiana é a mais importante que ocorreu dentro da Igreja Reformada”. Remonstrantes de um lado defendendo o arminianismo, posição defendida por Jacobus Arminius; e doutro lado os calvinistas holandeses, defendendo a posição calvinista. É importante salientar que este Sínodo só definiu no que diz respeito à soterologia.

Essa controvérsia iniciou-se dentro mesmo da Igreja Holandesa. Uma das principais discursões que levaram a essa discursão foi toda aquela ideia de “quem foi que criou o mal?”, e aí entra toda aquela discursão de supralapsarianismo e infralapsarianismo (não entrarei em detalhes quanto a essas posições).

Após a morte de Armínio, Johannes Uitenboard e Simon Episcopius passaram a liderar o pensamento arminiano. Os arminianos em 1610 se reuniram e elaboraram um documento que feria o símbolo de fé da Igreja Holandesa, a qual eles tinham jurado lealdade. Neste documento estavam 5 artigos que o arminianismo discordava com o calvinismo (posição defendida pela Igreja Holandesa), e esses 5 artigos se tornaram sua doutrina, eles são:
1.       A eleição está condicionada à precisão da fé
2.       Expiação universal (Cristo morreu por todos os homens e por cada homem, de forma que ele conquistou reconciliação e perdão para todos por sua morte na cruz, mas só os que exercem a fé podem gozar desse benefício).
è Creio que essa posição não encarava com a devida seriedade o que Cristo fez na cruz. Cristo abriu a possibilidade de salvação no calvário, ou Cristo de fato morreu para salvar mulheres e homens pecadores? O que ele fez de fato no calvário?
3.       Desnecessária a regeneração para que alguém seja salvo (aparentemente, uma visão perfeitamente ortodoxa, mas mais tarde ficou claro que a visão deles era tal que negava fortemente a depravação da natureza humana).
4.       A possibilidade de resistir à graça.
5.       A incerteza quanto à perseverança dos crentes (mais tarde eles deixaram claro que não criam de forma alguma na garantia da perseverança).

Em resposta aos remonstrantes, de posição arminiana, os calvinistas em 1611 responderam com uma reafirmação da doutrina calvinista e por isso ficaram conhecidos como os contra-remonstrantes.


Essa reafirmação da doutrina calvinista foi elaborada e o nome dado a esse documento é o que chamamos de Os Cânones de Dort. A estrutura dos Cânones de Dort é bem interessante, ela tem 93 artigos, separados em 5 pontos, e cada vez que um ponto é tratado ao final dele é mostrado os erros dos remonstrantes.

Os pontos elaborados nos Cânones foram os pontos que ficaram conhecidos como os 5 pontos do Calvinismo. Conhecida como TULIP, os 5 pontos do calvinismo é de suma importância dentro da igreja reformada (importante sabermos que os 5 pontos não são uma exposição completa da doutrina reformada). 5 verdades bíblicas que devemos abraçar e entender, elas são:

1.       Total depravação (Sl 51; Rm 3:9-20; Ef 2:1-3; Sl 58:3)
Esse ponto explica o fato de que o ser humano é um ser totalmente depravado, totalmente pecaminoso. Todas as esferas da humanidade estão manchadas pelo pecado, logo somo incapazes por nós mesmos de chegarmos a Deus (Jo 3:5-7), precisamos de alguém para se interpor entre nós e Deus. O homem não tem poder de tomar decisões contra sua natureza. Somente através de Deus, do Seu Espírito é que a escama de nossos olhos para o evangelho pode ser retirada (Cl 2:13). Esse ponto é tratado em duas esferas: o pecado original (condenação em Adão) e o particular (nossos próprios pecados). Pecamos porque somos pecadores, e não somos pecadores porque pecamos. Fico com a declaração de Edwin Palmer:
“É Deus sozinho o autor da salvação ou também a fé? Deus contribui com o sacrifício substituinte de Cristo e o homem contribui com a sua fé? Ou a fé é também um dom de Deus (Efésios 2:8)? A salvação depende parte de Deus (a entrega de Cristo na cruz) ou totalmente de Deus (a entrega de Cristo na cruz para morrer por nós além de nos dar a nossa fé)? O homem mantém um pouquinho da glória para si mesmo – a capacidade de acreditar? Ou toda a glória vai para Deus? O ensinamento da depravação total é que Deus leva toda a glória e o homem nenhuma.”

2.       Uma eleição incondicional (Rm 9:6-26; Ef 1:6-14)
Deus tem um povo escolhido para receber a salvação dada através de Cristo. Esse é o objetivo desse ponto. Na eleição incondicional podemos pontuar algumas coisas que são essenciais de sabermos sobre ela. Primeiro, devemos ter consciência que a eleição é uma expressão da livre vontade de Deus, e se isso fosse mentira onde estaria a soberania de Deus? A livre vontade estaria no homem? Segundo, a eleição é imutável, ela não muda. Deus escolheu seu povo antes da fundação do mundo, e é o mesmo povo hoje e o será por toda a eternidade. Isso torna a salvação segura e certa. Terceiro, a eleição é dada na eternidade, por isso ela não pode ser ligada a nenhuma ação humana. Não é possível ser por presciência, e sim pelo beneplácito de Sua vontade. Quarto, essa eleição é incondicional, não depende de obras, nem da fé, mas da bondade de Deus, pois até a fé que temos foi dada por Ele. Tudo depende de Deus, glória a Ele em tudo! Nada que façamos pode nos fazer merecer o amor de Deus, somente a Sua misericórdia pode nos alcançar.

3.       Limitada expiação (Ef 5:25-27,32)
Cristo morreu por pecadores definidos, Ele morreu pelos eleitos. Uma verdade que se for deturpada abrange várias áreas sérias do cristianismo. A morte de Cristo foi substitutiva, ele tomou o lugar que deveria ser nosso (Atos 20:28), ele adquiriu a igreja com Seu sangue; diferente do erro arminiano de acreditar que Ele abriu possibilidade de salvação. No verso 25b do texto de Efésios vemos que o texto especifica que Cristo amou A IGREJA e se entregou POR ELA, e não por todos. O erro mais comum de interpretar esse ponto é o fato dos leitores pensarem que o termo “limitado” significa que estaríamos limitando o poder do sacrifício de Cristo na cruz, mas na verdade esse termo significa apenas que a morte de Cristo foi por uma quantidade de pessoas definida, limitada. O texto de Efésios 5:25-27,32 e Romanos 3:23-26 nos diz alguns fatos que acontecem com as pessoas por quem Cristo morreu. Irei tratar esses quatro pontos aqui e depois falar com a consequência de acreditar que Cristo morreu por todos. As pessoas por que Cristo morreu são:
·        Declaradas justas, justificadas. O texto afirma que Cristo JUSTIFICA, e não que ele abre possibilidade de alguém ser justificado. O erro de se pensar que Cristo morreu por todos é que se Ele morreu por todos, então todos são justificados, porque o texto diz que as pessoas por quem Ele morreu são justificadas com Sua morte na cruz. Dessa forma estaríamos afirmando a salvação universal.
·    Redimidos. Cristo pagou o preço que nós deveríamos pagar. Se pensarmos que ele morreu por todos vamos acreditar que ele pagou o preço de todos, e dessa forma todos seriam salvos.
·      A morte de Cristo foi PROPICIAÇÃO pelos nossos pecados. Ela é expiatória, foi em lugar de pecadores. Isso significa que quando Cristo morreu na cruz a ira de Deus que estavam sobre os Seus foi removida. Se pensarmos de outro jeito teremos que acreditar que a ira de Deus foi removida de todas as pessoas, logo todas as pessoas estão salvas.
·        Reconciliadas com Deus. Somo filhos de Deus, coerdeiros com Cristo. Mais uma vez, se pensarmos que Cristo morreu por todos, todos estavam reconciliados com Deus.



Interessante que sempre que levamos esses pontos para a crença de que isso aconteceu com todos vemos que sempre vai terminar na crença da salvação universal. A verdade é que Cristo morreu por pecadores, sim os piores pecadores; e não por todos.

4.       Irresistível graça
Antes de tudo devemos entender a regeneração. A regeneração é uma ação do Espírito Santo que nos torna capazes de chegar à fé. Como somos totalmente depravados, por nós mesmos não temos condições de olhar para Deus e ver Sua beleza. Se chegarmos à fé, é porque o Espírito Santo nos mostrou o quanto éramos miseráveis. Piper diz: “A doutrina da graça irresistível não significa que toda influencia do Espírito Santo não pode ser resistida. Significa que o Espírito Santo pode sobrepujar toda resistência e tornar sua influencia irresistível.” Mas o ponto é: para nós chegarmos à fé precisamos saber sobre ela. E é por causa desse motivo que Deus ordena a Sua igreja para pregar o evangelho, porque é através do evangelho que as pessoas vão conhecer o amor de Deus. Dividimos essa chamada em dois pontos, eles são:
·      Chamada Geral (Mateus 11: 25-30). Essa chamada é a chamada que é feita a todos os homens. Homens ricos e pobres, brancos e negros, de toda raça, língua e nação. Essa chamada é feita através da pregação. Nós devemos pregar a todo homem e mulher. Segundo Paulo em 2 Coríntios 2: 14-16, a pregação pode ter dois resultados: ou o quebrantamento do coração das pessoas, ou o endurecimento.
·     Chamada eficaz ou individual (Efésios 2: 1-10). Essa chamada é feita no coração dos eleitos através da ação do Espírito Santo em sua vida. Deus cuida dos Seus pessoalmente, ele chama cada um pelo nome, ele também age em cada um individualmente.

Devemos ter em mente que o Espírito Santo é que nos auxilia em tudo. Não somos nada, nada. O Espírito Santo sempre age em nossas vidas, em todas as áreas sem exceção. É Deus que concede arrependimento e a remissão de pecados ao Seu povo (Atos 5:31; 11:18; 13:48; 16:14; 18:27). Não fazemos nada sem a ajuda do Espírito Santo.


A pergunta 31 do Breve Catecismo de Westminster nos mostra resumidamente e verdadeiramente o que é a chamada eficaz:
Que é vocação eficaz?
R. Vocação eficaz é a obra do Espírito Santo, pela qual, convencendo-nos do nosso pecado, e da nossa miséria, iluminando nossos entendimentos pelo conhecimento de Cristo, e renovando a nossa vontade, nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no Evangelho.
Ref. 1Ts 2.13; At 2.37; 26.18; Ez 36.25-27; 2Tm 1.9; Fp 2.13; Jo 6.37, 44-45.

5.       Perseverança dos santos (Fl 1:6)
Antes de entendermos o ponto da perseverança dos santos devemos ter em mente algumas coisas sobre santidade. A perseverança dos santos não pode ser desligada da doutrina da santificação de maneira nenhuma.
Santificação (Rm 6::3-6; Gl 5:16-18): Quando somos regenerados nossa natureza muda. Deixamos a natureza pecaminosa e somos colocados como santos, e o batismo simboliza exatamente isso: a nossa morte para a natureza pecaminosa e a vida para Cristo. Portanto o batismo é a profissão de fé do cristão (não é o levantar de mãos ou nenhuma ação do tipo). Por outro lado o fato de nós já sermos considerados santos não implica na imobilização de nossa parte. Podemos pensar: “Deus faz tudo, eu não faço nada. Então não vou trabalhar pela minha santificação.” Mas a questão é: como isso pode acontecer se a minha natureza já é diferente? O Espírito Santo infundi as virtudes do fruto do Espírito em nós, pois agora temos outra natureza. Tudo isso nos empurra para a doutrina da perseverança dos santos.
Perseverança dos santos (Hb 13:5b): Segundo Fl 1:6 Deus vai aperfeiçoar a obra que ele começou, e essa obra é a santificação. Como vamos conseguir continuar santos por nós mesmos, sem a ajuda de Deus? Não é possível. E isso nos leva ao primeiro ponto:
·  O próprio Deus é quem sustenta seus eleitos dia após dia; não é possível alguém verdadeiramente regenerado perder sua salvação. Justificado uma vez, sempre justificado.
·      Sabemos que somos eleitos porque perseveramos na santidade, buscamos a salvação (2 Pedro 1:10-11)
·      Essa doutrina nos empurra para a glorificação (Rm 8:29-30). [vemos no final do verso 30]

A perseverança dos santos não está nas mãos deles mesmos, mas na mão de Deus. Deus é imutável, ele não vai mudar sua opinião nem o seu querer. Se ele afirma que os eleitos vão perseverar até o fim, assim o será. Vamos ter plena confiança no nosso Deus e dar graças a Ele porque isso não depende de nós.


*[TULIP]*

"O entendimento da depravação total é o ponto final na arrogância típica da nossa raça."

Soli Deo Gloria


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Aos irmãos, diálogo. Aos outros, evangelismo.

Por Augustus Nicodemus


Alguns blogs recentemente criticaram duramente os evangélicos pela falta de diálogo com figuras conhecidas e que acabaram se desviando do, digamos, cristianismo histórico. No twitter, cheguei mesmo a ser convidado para entrar em diálogo com uma destas figuras. Vou explicar por que não tenho aceitado estes convites. Um diálogo pressupõe uma abertura de ambos os lados para mudança de opinião, ponto de vista ou postura. Pressupõe que nada é fixo, que tudo pode mudar. Assume que posições defendidas  podem estar erradas e que aquilo que se pensa errado no outro lado pode, afinal, estar certo. Pressupõe ainda que ambos os lados estariam dispostos a ceder em nome do acordo e da paz e da unidade e da harmonia. Se diálogo for isto, não acredito em diálogo com quem nega os pontos centrais do Cristianismo, e dos quais estou absolutamente convencido. Para mim, a Trindade, os atributos de Deus, a divindade de Cristo, sua ressurreição literal de entre os mortos, a inerrância da Bíblia, a salvação pela fé sem as obras da lei, a segunda vinda física e pessoal de Jeaus, a vida eterna e as penas eternas são inegociáveis. Portanto, não tenho nada a dialogar com quem nega estas coisas. Eu sei exatamente o que elas pensam e elas sabem exatamente o que eu penso. Já tomamos nossas posições e fizemos nossas escolhas. Dialogar sobre o quê? Não me recuso a sentar na mesa para dialogar com irmaos em Cristo sobre pontos secundários da fé cristã, como liturgia, dons espirituais, governo da igreja, forma de batismo, métodos de crescimento de igreja, assuntos relacionados com liberdade crista, usos e costumes.  Quanto aos outros, tecnicamente, não cabe diálogo, mas evangelização.


Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2012/06/aos-irmaos-dialogo-aos-outros.html

domingo, 13 de maio de 2012

A igreja e a pós-modernidade

Por Danyllo Gomes

A igreja atual tem sofrido várias influencias da pós-modernidade. Para entendermos essas influências, os porquês dessas influências e várias outras questões, vamos entender como surgiu o pós-modernismo e o seu contraste com o modernismo. Vou tentar fazer um breve resumo das características de cada pensamento.
O modernismo é caracterizado pelo pensamento que nós podemos enxergar tudo através da nossa razão, então o que não era possível explicar pela razão, não seria verdade. Algumas características: naturalistas (afirmavam que não existe sobrenatural); humanistas (tudo pode ser explicado a partir do homem, pelo homem); racionalistas (a razão é capaz de fazer tudo com o mundo); surgiu a ideia do método científico (como se fosse um teste para saber se algo era verdade ou não, ou seja, tudo que passasse pelo método científico é verdade); acreditavam na “certeza objetiva”; acreditavam no progresso indefinido (a humanidade estava avançando para um ápice, um progresso grandioso); individualistas (a razão é de alguém, e quem define é o indivíduo que pensa); determinista (as ações humanas são determinadas por algo, pela cultura ou pela sociedade, ou qualquer outro meio); critica a tradição (tudo o que era passado é visto como inferior). Uma visão importante que temos que ter sobre o modernismo é que eles entendiam que eles precisavam entender Deus com sua razão, e esse pensamento irá levar a vários erros (por exemplo, os liberais não acreditam em milagres, pois os milagres não podem ser provados racionalmente).
Já o pós-modernismo foi uma resposta ao modernismo. Esse pensamento levou as pessoas ao esoterismo, pois hoje se valoriza qualquer coisa que tenha uma interpretação sobrenatural da realidade. Algumas características desse pensamento são: sobrenaturalista (dão muita ênfase ao sobrenatural); desespero humanista (vivemos num universo tão “absurdo” que o ser humano não tem nenhuma saída); irracionalistas (valorizar outras coisas no ser humano que não seja a razão (intuição), e consequentemente começa a surgir o misticismo); conhecimento do “inverto-mal”; não acreditavam em certeza objetiva; relativistas (não há certeza); rejeição do progresso (não acredita no progresso); pluralismo (o que vale é a verdade do grupo, e não do indivíduo); valor da existência (busca pela liberdade que o Determinismo do modernismo proporcionou [busca por experiências que dê sentido a vida]); todas as tradições são boas. Diferentemente do modernismo, o pós-modernismo não acredita que o homem precisa entender Deus com sua razão. Em contraposição com o modernismo (enfatizava muito o racionalismo) surgiu o movimento carismático, onde as pessoas estavam começando a buscar emoções, experienciais. As pessoas não iam mais para a igreja para entender Deus, eles iam para sentir Deus.
Todos esses pontos que analisamos acima sobre o pós-modernismo estão se infiltrando dentro das nossas igrejas e destruindo nossa teologia, nosso povo e o evangelho de Cristo. Esse paradigma mudou de uma forma impressionante a sociedade, e juntamente com essa mudança, acabou-se influenciando a igreja que faz parte da sociedade.
O pentecostalismo, que se diz um movimento cristão, na verdade, não tem nada de cristão. Os principais líderes dessa linhagem são tão sincretistas que o cristianismo que eles afirmam que seguem acaba se perdendo em tanto misticismo não bíblico que esses homens usam. As pessoas estão todas muito “sobrenaturais” hoje, e as pessoas que se dizem cristãs acabam entrando nessa ideia e acreditam que uma “rosa ungida” irá tirar seus problemas, acreditam que um copo de água vai curar o braço doente, e assim por diante; absurdo após absurdo e as pessoas acreditam em tudo. Exemplos práticos temos aos montes, televisão é o que mais se ver sobre esse misticismo descontrolado. Hoje existe cristão espírita, cristão católico, vários tipos de cristãos. A igreja hoje se misturou com outras religiões. Não tem religião definida.
Outra influencia que tem acabado com a igreja cristã é o pluralismo. Não existe mais verdade absoluta. A Bíblia que era a única regra de fé e prática agora passa a ser relativa. O relativismo quando alcança o cristianismo destrói verdades fundamentais, verdades que não podem ser negociadas por nada, e por causa do pensamento pós-moderno, a própria igreja cristã, em vez de defender a verdade absoluta da Bíblia, acaba sendo influenciada pelo relativismo e pluralismo, e a igreja em si fica acabada. Cristãos que antes defendiam com unhas e dentes as verdades bíblicas, hoje influenciados pelas ideias pós-modernas terminam confundindo suas convicções e crenças e terminam apostatando da fé que uma vez era tudo em sua vida.
Alguns traços que o Pr. Marcos Graconato trata de forma resumida sobre, mas específica sobre as igreja pós-modernas são as seguintes: uma hermenêutica relativista, um discurso conciliador, uma ênfase excessiva na liberdade humana e um afrouxamento ético/moral. Em resumo, as igrejas pós-modernas tem esses pontos que os distinguem das igrejas históricas.
A hermenêutica relativista não busca o significado fixo do texto bíblico, ela afirma que pode ter vários significados. Caso o pastor pregue em determinado texto, ele irá expor esse texto de determinada forma. Mas em casa, um dos membros pode olhar para o texto e ver que aquilo que o pastor pregou é errado, porque o membro acredita que o texto bíblico tem vários significados. Ele acredita que nem ele nem o pastor estão errados, os dois estão certos, só que tem visões diferentes. Praticamente não há absolutos. Mas sabemos que isso é errado. A Escritura só tem uma verdade e devemos busca-la.
Resumindo, o discurso conciliador não define o que é certo ou errado. Para eles qualquer tipo de espiritualidade é válido. E sabemos que esta forma de pensar está errada, pois se formos pensar dessa maneira vamos está rejeitando a veracidade do cristianismo, que é o único lugar onde se pode obter a salvação, que é através de Cristo Jesus. Junto com isso entranha igreja as várias práticas de outras religiões que são totalmente reprovadas pela Bíblia. Começamos a ver cristãos fazendo yoga, sendo maçons, cristãos que no domingo está na igreja cristã, mas na quarta-feira está no espiritismo. É espiritual? Tá valendo! Isso é o que os cristãos pós-modernos avaliam.
A ênfase na liberdade excessiva é o que distancia vários deles. Colocam a escolha do homem acima da própria Bíblia. Cada pessoa pode interpretar livremente, pode viver livremente. E como bem sabemos isto no leva ao distanciamento da Soberania de Deus. Quanto maior a ênfase na liberdade humana, menor fica a ideia da soberania de Deus. Temos muitas dúvidas, sim. Mas colocar como solução a liberdade humana acima da Soberania do Senhor é loucura. Como o cristão pode pensar que é dono do próprio destino? Ele quem traça seu próprio caminho? O Teímos Aberto trás exatamente essa ideia.
O afrouxamento ético/moral é consequência de todos esses pontos. Liberdade excessiva, hermenêutica relativista. Nesse universo pós-modernista quem impera é o homem. Até a própria moralidade/ética que é definida por Deus, o homem começa a “reescreve-la” e fazendo o que bem entende. Não é a toa que temos várias pessoas que se dizem cristã e vivem no homossexualismo; divórcio já virou moda entre os próprios cristãos; péssimo uso da liberdade cristã.
A igreja virou de cabeça para baixo com o pós-modernismo. O que era pecado se tornou santidade, o que era absoluto se tornou relativo, o que era certo se tornou errado. A igreja em vez de influenciar a sociedade se deixa influencia por ela. Precisamos entender para sabermos lidar com essas ideias e podermos combate-las como sendo mentiras do diabo que só iram destruir o povo de Deus. O mundo continua, já ouve pré-modernismo, modernismo, agora pós-modernismo, e creio que ainda irão ter vários “modernismos”, mas sempre foi somente um Cristo, uma verdade, um cristianismo, uma Bíblia. Isso não muda.

Soli Deo Gloria. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Deus tem um plano horrível para a sua vida.



Por Renato Vargens

O meu amigo Wilson Porte compartilhou hoje pela manhã uma impactante sentença de John MacArthur a qual reproduzo abaixo:

"Você sabia que Deus não tem um plano maravilhoso para a sua vida? A menos que você considere o tormento eterno como um plano maravilhoso. Ele tem um plano horrível para aqueles que não conhecem a Cristo. Quando compartilhamos o evangelho com as pessoas, talvez devamos dizer-lhes: 'Você sabia que Deus ama você e tem um plano horrível para sua vida?' Temos de abordar o problema do pecado. Um Deus santo, bom e puro não pode tolerar o mal."

Caro leitor, por acaso você já deu conta que muitas das vezes anunciamos o Evangelho de forma equivocada? Pois é, sem que percebamos dizemos as pessoas que Deus é bom e que Ele deseja galardoa-las  com bênçãos distintas. Ora, claro que isso é verdade, todavia, anunciar esses pressupostos sem proclamar que o salário do pecado é a morte, significa contribuir com a proclamação de um Evangelho humanista.

Prezado amigo, as Escrituras afirmam que o homem sem Cristo está condenado a morte eterna.  Será que você não sabe que o destino daqueles que não foram salvos por Cristo é o inferno? 

Amado irmão, que Evangelho temos pregado? Será que temos anunciado aos perdidos sua real condição convidando-os ao arrependimento? Será que temos nítida compreensão do que seja o inferno?

Jonathan Edwards que ao tratar sobre o inferno disse:

"Se nós que cuidamos das almas soubéssemos como é o inferno e conhecêssemos a situação dos condenados à perdição, ou se por algum outro meio nos tornássemos conscientes de quão pavorosa é a condição deles; se ao mesmo tempo soubéssemos que a maioria dos homens foi para lá e víssemos que nossos ouvintes não se dão conta do perigo – nestas circunstâncias, seria moralmente impossível que evitássemos mostrar-lhes com muita seriedade a terrível natureza de tal desgraça e como estão extremamente ameaçados por ele. Nós até mesmo lhe clamaríamos em alta voz.

Quando os ministros pregam friamente sobre o inferno, advertindo os pecadores de que o devem evitar, por mais que suas palavras digam que é infinitamente terrível, eles acabam se contradizendo; pois à semelhança das palavras, as ações também têm sua própria linguagem. Se o sermão de um pregador ilustra a situação do pecador como imensamente pavorosa, enquanto seu comportamento e sua maneira de falar contradizem isso – mostrando que ele não pensa assim – tal ministro vai contra seu objetivo, porque neste caso a linguagem das ações é muito mais eficaz do que o significado puro e simples de suas palavras. Não que eu credite que devemos pregar somente a Lei; acontece que ministros talvez preguem suficientemente outras coisas. O evangelho deve ser proclamado tanto quanto a Lei e esta deve ser pregada apenas para preparar o caminho para o evangelho, a fim de que ele possa ser proclamado de modo mais eficaz. A principal tarefa dos ministros é pregar o evangelho: "Porque o fim da Lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê" (Rm 10.4). Portanto, um pregador ficaria muito além da verdade se insistisse demais nos terrores da Lei, esquecendo seu Senhor e negligenciando a proclamação do evangelho. Mesmo assim, porém, a Lei realmente deve ser enfatizada, e sem isso a pregação do evangelho talvez seja em vão.

Certamente, é belo falar com seriedade e emoção, conforme convém à natureza e importância do assunto. Não nego que possa existir um pouco de impetuosidade imprópria, diferente daquilo que, pela lógica, decorreria da natureza do tema, fazendo com que forma e conteúdo não estejam de acordo. Alguns dizem que é ilógico usar o medo a fim de afugentar as pessoas para o céu. Contudo, acho que faz parte da lógica o esforço para afugentar as pessoas do inferno em cujas margens elas se encontram, prontas para cair dentro dele a qualquer momento, mas sem se dar conta do perigo. Não seria justo afugentar alguém para fora de uma casa em chamas? O medo justificável, para o qual há uma boa razão, certamente não deve ser criticado como se fosse algo ilógico."

Caro leitor, os que falam do inferno sem lágrimas nos olhos e com frieza na alma apontam para o fato de que não entenderam a mensagem do Evangelho.
Pense nisso!

Renato Vargens

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cruzados e Reformadores

Por Danyllo Gomes



As cruzadas contra os mulçumanos ou contra os hereges foram incentivados pela Igreja Católica Romana. Homens e crianças engajados em ideais totalmente antibíblicos iam à busca de salvação onde só havia condenação. Tudo isso se deu por conta da Igreja Católica Romana. Época também de formação de novas ordens da igreja como movimentos de reforma.
O objetivo das cruzadas, apesar de terem vários interesses diferentes, o principal era o motivo religioso. O imperador Aleixo pediu ajuda aos cristãos porque os mulçumanos estavam invadindo seu país, e ele dizia que os mulçumanos estavam colocando o país em risco, e foi essa motivação que começaram as peregrinações. Muitos nobres e cavaleiros feudais impulsionados pela aventura militar e essa luta santificada pela Igreja Romana acabaram se unindo aos ideais da igreja. A Igreja Católica dizia que quem fosse lutar na Cruzada teriam todos os seus pecados perdoados, inclusive os cometidos na cruzada. Com isso vários homens iam e faziam barbaridades (estupros, matavam crianças de colo, etc) com a benção da Igreja Católica.
A causa da primeira cruzada conduzida por Urbano II que propôs a cruzada como uma resposta ao pedido de Aleixo. Para Urbano II era mais importante libertar os lugares sagrados dos mulçumanos do que ajudar o Império do Oriente. Pedro, o Eremita, levou camponeses em massa em direção à Palestina; como estavam desorganizados e indisciplinados o Imperador de Constantinopla os levaram vivos e os fizeram de escravos. Depois dessa desorganizada cruzada de camponeses, os nobres da França dirigiram vários exércitos rumo a Constantinopla. Em 15 de Junho de 1099 tomaram e Jerusalém e iniciou-se a criação de estados feudais. Os Cavaleiros Templários e os Hospitalários foram criados nesse tempo para a proteção do povo.
Os mulçumanos estavam ameaçando a Jerusalém e essa foi à causa da segunda cruzada. Bernardo de Claraval promoveu a pregação na segunda cruzada. O rei da França e o Imperador do Sacro Império Romano, mas não adiantou de nada. Saladino retomou Jerusalém.
A terceira cruzada liderada por Filipe Augusto da França, Ricardo da Inglaterra e pelo Imperador Frederico. Ricardo não conseguiu retomar Jerusalém, mas conseguiu um acordo com Saladino para que ele permitisse a entrada de peregrinos.
A quarta cruzada, liderada por Inocêncio III, teve um acontecimento importante que foi o fato da Igreja Grega e o Império Oriental foram submetidos ao papa.
Frederico II o líder da Sexta cruzada, conseguiu vários territórios para os cristãos, mas por causa de cruzadas posteriores, os territórios voltaram para os Sarracenos.
E por fim, o acontecimento que mais me chamou a atenção em toda essa história, a Cruzada das Crianças em 1291. Um garoto chamado Estevão de 12 anos de idade liderou essa cruzada juntamente com Nicolau. Várias crianças morreram de fome e a maioria do resto foi tomada escravas.
Entre tantas consequências das cruzadas podemos destacar: o enfraquecimento do feudalismo por conta da venda das terras dos cavaleiros, o papa aumentou o seu prestígio durante as cruzadas, várias consequências econômicas. Os europeus puderam ter contato com a filosofia, ciência e cultura árabes para que os escolásticos pudessem estudá-las.
Durante as cruzadas surgiram ordens monásticas visando reforma. As ordens eram submetidas ao papa e ao abade da ordem. Além da formação de novas ordens, houve a tentativa de reformar a Ordem Beneditina e a ordem dos cônegos agostinianos. Ordens formadas na época:
1.      Ordem Cisterciense
Fundada por Citeaux, tem o objetivo de corrigir a falta de disciplina monástica
2.      Ordens Militares
Os Cavaleiros de São João e os Cavaleiros Hospitalários faziam tríplices votos, mas não deixavam as armas. A ordem tornou-se uma organização militar de defesa. Em 1128 foram criados os Cavaleiros Templários que adotaram o estilo de vida dos cistercienses. Tem a mesma função das ordens anteriores (proteger o povo na terra santa), mas em 1312 foi extinta por estarem se envolvendo na política francesa.
3.      Frades
Os frades representavam outro tipo de monasticismo. Eles tinham as mesmas características dos outros monges, mas em vez de morarem em mosteiros separados do povo, eles moravam entre os povos das cidades e pregavam em sua língua. Eles se mantinham através de doações. Os frades organizados nesse período foram os franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos (para detalhes sobre cada frade ver O Cristianismo Através dos Séculos, Earle E. Cairns, Ed. Vida Nova, 2ªed., págs: 202-203).

Também houve nos tempos das cruzadas os chamados Movimentos Leigos de Reforma. Esses movimentos se opuseram a vários ideais das cruzadas. Eram reformas externas, e não internas como os frades. Os albigenses e os valdenses procuravam voltar à igreja descrita no Novo Testamento; foram considerados os precursores da reforma. Os movimentos são:
1.      Albigenses filósofos
Eles criam na existência de um dualismo um Deus bom, que fez a alma, e um Deus mal, que recebeu um corpo material após ser expulso dos céus. Eles se opunham à reprodução da espécie, aos sacramentos e refutavam as doutrinas do inferno, do purgatório e de uma ressurreição física; condenavam o uso de qualquer coisa material na adoração.
2.      Valdenses puritanos
Foi organizado por Valdo que criou um grupo chamado de “Pobres de Espírito”, por causa do entendimento que Valdo teve da simplicidade de Cristo. Ele e seu grupo desejavam pregar, mas o papa os proibiu o os excomungaram por se recusarem a parar de pregar. Eles criam que todos os homens deveriam ter a Bíblia, ela sendo sua maior autoridade. Aceitavam as confissões ecumênicas modelares, a ceia do Senhor e o batismo, a ordenação leiga para a pregação e para a ministração dos sacramentos.
3.      Joaquimitas escatológicos
Joaquim, monge cisterciense, acreditava que o Pai era importante no Antigo, o filho no Novo Testamento e que depois de 1260 surgira a época do Espírito Santo, a época do amor.

Soli Deo Gloria, o Deus da história.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Como pode Deus decretar o pecado sem pecar? - Jonathan Edwards


É muito consistente quando dizemos que Deus decretou cada ação do homem, sim, cada ação que ele toma que é pecaminosa e cada circunstância dessas ações.. . . e ainda assim, que Deus não decreta as ações que são pecaminosas como pecaminosas, mas [as] decreta como boas.
Não queremos dizer que decretar uma ação pecaminosa, seja o mesmo que decretar uma ação para que ela seja pecaminosa; mas ao decretar uma ação pecaminosa, quero dizer decretá-la em razão da pecaminosidade da ação. Deus decreta que será pecaminosa em razão do bem que ele faz surgir de tal pecaminosidade, enquanto que o homem a decreta pelo mal que há nela. (Coletânea nº85, parágrafo adicionado)
Em outras palavras, Deus pode decretar uma ação que é pecaminosa para um humano executar, porque ele a decreta por razões não-pecaminosas.
Um pecado só é pecaminoso por causa da atitude do coração que o executa. Quando humanos pecam, estamos por definição nos rebelando contra Deus. Mas ao ordenar o pecado humano, Deus não se rebela contra si mesmo. Pelo contrário, ele ordena nossos pecados com bons fins em mente, o que faz do ato de ordená-los não-pecaminoso, uma vez que a atitude de seu coração não é rebelde, mas justa.
Algumas expressões bíblicas que parecem sustentar este entendimento são Gênesis 50:20 e Romanos 11:32