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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Esperança da Felicidade




Por Danyllo Gomes


Somos corruptos, e boa parte do mundo não entende isso. Ah, inclusive Sigmund Freud, o tão adorado/criticado, sobretudo praticado hoje em dia. O homem chegou na maioridade, não é o que afirmavam os iluministas? “Pra que Deus? Temos nosso umbigo e a ciência onipotente para viver.” Boa afirmação, e corretíssima: tem umbigo e ciência para viver, mas não para morrer. O nosso umbigo e a ciência não passam dessa vida. Na verdade o umbigo passa, afinal de contas ele faz parte da matéria, mas e a ciência?

Vivemos num caos, e aqui não afirmo a doutrina espírita que moramos no inferno, mas simplesmente a doutrina da graça que afirma a depravação total do homem, em todas as áreas da sua vida. Basta acessar o site do ‘globo’, ou da ‘veja’, ou qualquer outro site que nos informe sobre como está a vida. Verás ali um retrato da humanidade.

E sabe o que é mais triste? Nossa esperança está neles. Esperança é a vista em algo que trará felicidade. A felicidade é contínua de forma que nunca acabará, então me diga: teu umbigo é eterno? Teu dinheiro é eterno? Tua família é eterna? Teu filho é eterno? Teu trabalho é eterno?


A pergunta é: pra quem tu vive? Teu umbigo, ou pra verdadeira esperança, a saber, Jesus? Quando a esperança é depositada em algum lugar, nesse lugar está o que tu não consegue, e por isso corresse pra ele. Cuidado pra não correr atrás do próprio rabo, ou melhor, do teu umbigo.

sábado, 21 de setembro de 2013

Inteligência Humilhada

Por Danyllo Gomes


Antes de tudo é importante entender que Inteligência Humilhada é uma condição intrínseca do ser humano. A inteligência do homem não se torna, ou foi um dia, na verdade ela É humilhada por natureza, pelo menos no que diz respeito ao conhecimento de Deus. Como o homem pode conceber o conhecimento de Deus? Através da sua próprio inteligência e sabedoria? Através do que ele pensa e acha que Deus é? Com certeza não! O único meio que o homem pode conhecer a Deus é através do que ele mesmo revelou de Si, as Escrituras Sagradas. Portanto, logicamente se conseguirmos entender toda a Escrituras Sagrada, entenderemos tudo a de Deus. Com certeza não! As Escrituras nos revelam tudo o que Deus revelou de si mesmo ao ser humano. A única fonte confiável sobre a pessoa de Deus são as Escrituras. Nunca será a inteligência ou imaginação do ser humano que trará o conhecimento verdadeiro de Deus. É verdade que temos conhecimento de Deus incutido na nossa mente, mas por causa do pecado o único meio que pode-se conhecer o Deus verdadeiro, sem mentiras ou invenções humanas, é nas Sagradas Escrituras.

O homem, por sua própria força conseguirá estudar as Escrituras como estuda a língua portuguesa e conseguirá compreender tudo? Sem a graça de Deus não. O homem não conhece verdadeiramente a si mesmo, quanto mais a Deus?! Deus que é um ser infinitamente maior, poderoso, não depende de ninguém nem de nada, auto existente, rei de tudo e de todos, criador dos céus e da terra, gracioso, fiel. O homem não pode compreender a Deus como Ele é, antes que Ele se revele a esse homem dizendo-o quem Ele é. O homem precisa de Deus para compreender a si mesmo, quanto mais para compreender o próprio Deus? A inteligência do homem está cativa ao Senhor e à Sua vontade.

A partir daqui nos torna visível o conceito de “monergismo”. Monergismo, normalmente aplica-se apenas a definição de salvação. Quando afirma-se que a salvação é monergística, significa dizer que esse ato depende apenas de uma pessoa, a saber, Deus. Portanto, na salvação, quando se fala de monergismo, se fala da salvação depender apenas de Deus, e não do homem. Depende do livre-arbítrio de Deus, e não do homem. Esse mesmo termo pode ser empregado no conceito de inteligência humilhada, onde vai significar que o ato de conhecer a Deus depende apenas Dele, e não do homem. Para que o homem entenda a Deus ou o conheça, antes, através do Espírito Santo, o Senhor na Sua graça abrirá os olhos só homem, e o próprio Deus se revelará ao homem como Ele realmente é. Portanto, não é uma “via dupla”, pelo contrário, é única. Através apenas do próprio Deus é possível chegar ao conhecimento Dele.

A partir daí ver-se a necessidade de fazer teologia Diante de Deus (Coram Deo).O teólogo não vai apenas acreditar com o intelecto, mas vai vivenciar na prática essa verdade aprendida pelo através do raciocínio. Isso leva o teólogo a fazer teologia com temor e tremor diante de Deus. Ele sabe que Deus está ali, e então ele se dedica o máximo a compreendê-lo e a ensiná-lo da forma devida. O teólogo não vai se preocupar com o que ele acha ou pensa, mas com o que ele ver revelado nas Escrituras, que é a vontade de Deus para sua vida. Dessa forma, aprende-se a respeito de Deus como Ele realmente é, e como ele se revela. O teólogo sempre se achegará com humildade e seriedade para aprender a respeito de Deus.

O teólogo não duvida do seu amor por Deus, pelo contrário, ele O ama sem exitar. E esse amor não fica apenas no intelecto, mas desce para o coração. A certeza deste amor impulsiona-o a aprender mais Dele e querê-Lo mais e mais. Impulsiona-o a viver do modo que O agrada. A teologia 'coram deo' e o amor para com Deus não são vacilantes, são constantes. Não há dúvidas, há certezas. E o teólogo tem a consciência que só ama a Deus porque Ele o amou primeiro. O amor do teólogo é uma resposta irresistível ao amor que Deus tem por ele.

Soli Deo Gloria.  

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Senhor, preciso de tua graça.



Senhor, não é soberbo o meu coração[...]”
Salmos 131:1a


A quem minha inteligência está cativa?
Javé é Teu nome.
Tu existes, sempre existirás,
e eu, o que sou? [1]
Do pó me criastes, fizestes-me para Ti,
o que sou diante de Ti?

Tu existes, sim, eu sei que existes.
Faz-me existir em Ti! [2]
Não existirei fora de Ti, pois um dia voltarei ao que era e não poderei fazer nada a respeito.
O que sou eu, sem Ti?!

Pai, revela-Te a mim como Tu és.
Pai, revela-Te a mim como desejas.
Senhor, não me conheço totalmente, quanto mais a Ti?
Como poderei conhecer-Te, se nem a mim mesmo conheço?
Não há nada em mim que Tu não saibas e quanto há em Ti que eu não sei!
Dependo de Ti, para saber que sou.
Dependo de Ti, para saber quem Tu és.

Minha mente se limita a mim!
Como Te verei? Vens Tu a mim, e livra-me de mim mesmo.
Envia-me Teu Santo Espírito, liberta meus pensamentos e os torna escravos de Ti.
Como conhecerei o que é verdadeiro, se Tu não me mostrares? [3]
Quando Te conhecer, para que me servirá o Teu conhecimento?
Não para mim Senhor, mas para Ti! [4]
Quem sou eu para achar que sou suficiente sem Ti?
Passarei a eternidade conhecendo-Te, e nunca se esgotará o Teu conhecimento. [5]

Assim como penso, necessito falar.
O que falarei, se Tu de tudo já sabes?
O que pensarei, se Tu já sabes?
O faço por mim, e não por Ti.
E quando o faço, não me humilho falando-Te o que já sabes?

Senhor, preciso de tua graça. [6]

[1] – Tg 4:14
[2] – Rm 11:36
[3] – Jo 8:32
[4] – Sl 115:1
[5] – Jo 17:3; Rm 11:33

[6] - Sl 25:1; Sl 141:1

Danyllo Gomes

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Fervor Sem Conhecimento



Charles Spurgeon

Não aceitem o conceito que o mero fervor sem conhecimento bastará, e que as pessoas hão de ser salvas simplesmente por nosso zelo. Receio que somos mais eficientes em calor que em luz; mas o fogo que não tem luz é de natureza suspeita e não vem de cima. Os pecadores são salvos pela verdade que penetra no entendimento, alcançando assim sua consciência. Como pode o evangelho salvar se não é entendido? O pregador talvez utilize saltos, gritos, golpes e súplicas; porém o Senhor não está no vento nem no fogo; a voz mansa e delicada da verdade é indispensável para penetrar no entendimento e alcançar  coração. A congregação deve ser ensinada. Devemos "ir e doutrinar as nações", fazendo discípulos entre elas; e não conheço maneira alguma para salvar os homens senão que os ensinemos e eles aprendam.
Alguns pregadores, embora sabendo muito, ensinam pouco porque usam uma linguagem elevada. Lembremos que nos dirigimos a pessoas que precisam ser orientadas como crianças; mesmo adultos, a maior dos ouvintes está ainda na infância no que concerne às coisas de Deus. Para receberem a verdade, tem de ser apresentada de modo simples, de maneira fácil de assimilar e guardar na memória. Acaso não têm ouvidos sermões que são peças de oratória, e nada mais? Contudo quando termina, o discurso não satisfez a mente, porque a retórica não alegra a alma. É preciso que não façamos da oratório o nosso objetivo. Alguns são eloquentes por natureza, e não lhes é possível ser outro modo, como os rouxinóis não podem evitar de cantar docemente; portanto, não os censuro, mas os admiro. Não é dever do rouxinol baixar a voz ao mesmo tom que o pardal. Que cante com doçura, se o faz naturalmente. Deus merece a melhor oratória, a melhor lógica, a melhor metafísica, o melhor de tudo; entretanto se alguma vez a retórica embaraça a instrução do povo, seja anátema. Que jamais aluma capacidade ou aptidão educacional ou mesmo algum dom natural que possuamos seja estorvo à compreensão do povo naquilo que transmitimos. Que Deus não permita que a nossa erudição ou estilo obscureça a luz; pelo contrário, que sempre usemos a linguagem singela de modo que o evangelho resplandeça livremente em nosso ministério.
Há grande necessidade atual de transmitir luz porque há muitas tentativas ferozes de apagá-la e obscurecê-la. Há muitos que espalham as trevas por toda a parte. Portanto, irmãos, mantenham a luz ardendo em suas igrejas e em seus púlpitos, e ergam-na diante dos homens que amam as trevas porque favorecem seus objetivos. Ensinem à congregação toda a verdade. Há ladrões de ovelhas que rondam à noite, e se conseguem seduzir alguns do nosso povo é porque não conhecem os princípios do cristianismo. Nossos ouvintes têm uma ideia geral das coisas, mas não o suficiente para proteger-se dos enganadores. Estamos rodeados, não apenas dos céticos, mas de certos homens que devoram os fracos. Não deixem que seus filhos sejam privados de um santo conhecimento, pois há sedutores ao redor que tentam desviar os incautos. Começam chamando-os de "queridos" e terminam afastando-os daqueles que os conduziram a Cristo. Se têm de perder algum dos seus ouvintes, que o seja à luz do dia e não por ignorância deles. tais sequestradores deslumbram os olhos débeis com brilho de novidades e transtornam as mentes fracas com descobertas maravilhosas ou doutrinas surpreendentes, as quais tendem à divisão, à amargura e à exaltação da própria seita. Esforcem-se por mantes a luz da verdade ardendo, e os ladrões não se atreverão a saquear as suas casas.
Feliz a igreja de crentes em Jesus que sabem porque crêem nEle. pessoas que crêem na bíblia e conhecem o seu conteúdo; crêem nas doutrinas da graça e conhecem o alcance de tais verdade; sabem onde estão e o que são, e portanto vivem na luz e não podem ser enganadas pelo príncipe das trevas! Lutem, caros irmãos, para que haja muito ensino em seu ministério. Alimentem sempre o rebanho com conhecimento e compreensão, e que a sua mensagem seja sólida, contendo alimento para o faminto, cura o enfermo e luz para os que estão nas trevas.

Revista Os Puritanos, ANO XVI, Nº 4 : 2008, págs.: 28-29.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Os Dez Mandamentos e a Ética Cristã

Por Danyllo Gomes


           Antes de tudo, é necessário termos uma coisa em mente: a lei de Deus, os Seus dez mandamentos são divididos em duas tábuas. A primeira diz respeito ao relacionamento do homem com Deus; a segunda nos guia no nosso relacionamento com o próximo. Como os cristãos devem se portar na sua vida diária? O que fazer com as escolhas morais? Como fazê-las e baseada em quê será nossa decisão? Essas são perguntas que, de forma geral, tentaremos responder ao longo do texto. Como os dez mandamentos são bastante extensos e grandemente profundos, não será possível esgotar, de maneira nenhuma, este assunto aqui neste ensaio. A minha intenção então será analisarmos a importância deste tema para o cristão, assim como observarmos o mandamento “Não terás outros deuses diante de mim.”
            A lei é o reflexo da santidade de Deus, da sua perfeição. Através dela podemos ver o que Deus é, e o que nós somos. Aquele (o decálogo) é o padrão pelo qual o caráter de Deus é composto, e pelo qual o nosso é julgado. Nessas dez regras temos conceitos simples, mas abrangentes. Pequenos, mas complexos. Devemos nos achegar à revelação divina da Sua vontade para o nosso dia a dia de forma humilde, sabendo que nada somos e que Deus nos revelará o que lhe apraz nos momentos certos. Podemos ler dez, vinte ou até trinta vezes o decálogo, mas nunca ele será esgotado. O próprio Cristo, no sermão do monte, desenvolve os dez mandamentos e aplica-os ao povo e a nós, através das Escrituras. Devemos então nos curvar de forma humilde, reconhecendo a grandiosidade e santidade do nosso Senhor descrita no Decálogo.
            Tiago Santos coloca sabiamente a definição da palavra “ética cristã”, ele diz: “é o 'modus vivendus' do povo de Deus.” Ou seja, o modo pelo qual o povo de Deus deve se guiar. Salmo 119:105 afirma que a palavra de Deus é lâmpada para os pés e luz para o caminho. Precisamos entender que é extremamente necessário e de tamanha importância que o cristão saiba como viver. A primeira pergunta do Catecismo Maior de Westminster diz: “Qual o fim supremo e principal do homem?” imediatamente ele responde: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre [Rm 11:36; 1Co 10:31; Sl 73:24-26; Jo 17:22-24].” A pergunta é: como viveremos para glorificar e alegrar-se em Deus? Observando a Sua Santa Palavra e vivendo de acordo com a Sua Santa vontade [o modus vivendus do homem].
            Podemos também observar o texto de Romanos 12:2, que diz: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Como cristãos, devemos não apenas fazer o correto, mas pensar correto. Não devemos nos moldar ao modelo deste mundo, e muito menos às regras morais deste mundo. Pelo contrário, não podemos nos deixar ser influenciados e nem nos conformar com este mundo, mas devemos renovar nossa mente, dia após dia, para que possamos viver de modo bom, agradável e perfeito, de acordo com a vontade de Deus. Esse é objetivo do homem!
            Outro fator importante que devemos saber é que o cumprimento do decálogo não salva, pelo contrário; ele condena! Ela nos mostra quem somos. Essa é uma diferença central do cristianismo bíblico para as outras religiões. A maioria, senão todas as outras religiões, são movidas por boas obras. As pessoas, para alcançarem o “céu” precisam fazer boas obras e etc. Esse é o pensamento que gira no mundo a respeito do homem. Porém, isso não é o que as Escrituras falam. O homem é impuro, corrupto, miserável, condenado, pecador, manchado, depravado, e tudo mais. Por isso, ele não tem a capacidade de cumprir todo o mandamento do Senhor. O cristão não cumpre a lei de Deus para ser salvo, mas por amor! [João 14:23] O que nos move e capacita a cumprir a lei de Deus é o Santo Espírito. Ele, apenas Ele, pode nos capacitar a fazê-lo.

“Não terás outros deuses diante de mim.”

            Aqui temos um mandamento tão conhecido, e ao mesmo tempo tão negligenciado. Deus diz ao povo de Israel que não tolera diante da Sua face qualquer outro Deus, pois Ele é o único. No contexto da época, o povo estava rodeado de religiões pagãs, onde cada uma reivindicava o seu próprio deus. Na verdade, neste exato momento, o povo tinha acabado de sair de uma cultura onde vários deuses eram cultuados. Cada um na sua “área”. O sol, o rio, a natureza, a vida, e por aí vai. Cada área do ser humano era governada por um deus diferente. Essa era a ideia.
            O povo de Israel, o povo escolhido e separado por Deus, precisava entender que o Deus deles, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó era o Deus verdadeiro, hoje e sempre. Infelizmente, essa ideia não ficou presa àquela época. Hoje, não só pagãos, como também cristãos, acreditam “mesmo que sem querer” num deus compartimentado; o qual não é o Deus das Escrituras. Michael Horton coloca da seguinte forma: “Podemos ver em nossos próprios círculos cristãos traços dessa mudança de ideia de um Deus Soberano que revelou-se num tempo e espaço reais na História, para a noção de deidades locais que gerenciam os compartimentos separados de nossa vida, garantindo o sucesso e a felicidade em suas esferas respectivas. Isso é raramente declarado, mas frequentemente praticado: Deus está encarregado da área chamada “religião”, mas a própria vida é governada por um panteão de deidades: carreira, posses, ambição, auto-estima, família, amigos, entretenimento, moda. Sempre que tomamos uma decisão de violar a vontade revelada de Deus em favor de uma dessas “deidades”, estamos colocando outros deuses diante do único e verdadeiro Deus vivo.”[1] Quantas “deidades” não existem em nossos corações querendo tomar o trono do Senhor dentro de nós? Simples coisas do dia a dia nos impedem de adorar a um único Deus, o verdadeiro.
            A cultura brasileira está arraigada no catolicismo romano. Cristãos tem repúdio a imagens por causa dessa cultura donde vivemos e viemos, mas às vezes esquecemos que não só existem ídolos físicos (imagens), mas também os do coração. Pessoas estão tão presas a condenar alguém que adora uma imagem – de forma nenhuma estou concordando com a adoração de imagens – que se esquecem que no seu coração, talvez, exista mais ídolos do que todos aqueles os santos da Igreja Católica Romana. O Senhor neste mandamento não condena somente ídolos visuais, mas qualquer coisa que ocupe o lugar Dele em nossas vidas.
            Salmos 115:1 diz: “Não a nós Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” O povo de Israel que tantas vezes abandonou a Deus por causa de falsos deuses reconhecem a majestade de Deus. Por que será que no início diz-se 'Não a nós Senhor, mas ao teu nome dá glória […]'? Simplesmente porque o coração do homem tem dois deuses, ou o Deus verdadeiro ou ele mesmo. Como já dizia João Calvino: “O coração do homem é uma fábrica de ídolos”. Calvino, como um perspicaz teólogo, entende exatamente o ponto. Se o deus do homem não é o Deus verdadeiro, é ele mesmo. Ele fabrica, seja: religiões, ele mesmo (ateísmo), trabalho, esposa, namorada, dinheiro, sexo, vícios; qualquer um. Fora do Deus santo e verdadeiro - que é aquele que preenche o vazio que o homem tem – não há verdade. Só há pseudo-deuses, tentando ocupar o lugar que não é para eles, e como não é para eles, eles não vão conseguir preenchê-lo.
            No decorrer do Salmos 115:4-8, o salmista descreve como são os deuses das nações ao seu redor: “Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens. Têm boca, mas não falam; têm olhos e não veem; têm ouvidos, e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai pela garganta. Tornem-se semelhantes a ele os que os fazem e quantos neles confiam.” Os idólatras se tornam inúteis diante do Deus que está no céu (ver Sl 115:3). Eles são como mortos, são como os deuses que eles adoram.
            C. J. Mahaney no seu artigo[2] observa alguns meios de identificar a idolatria do homem, alguns deles são:
(1) – As Escrituras: como cristãos não só precisamos, como devemos observar toda nossa vida de acordo com as Escrituras Sagradas. Ela é a nossa única regra de fé e prática. É através dela que o Senhor nos ensina como devemos viver. Como disse anteriormente, toda a idolatria do homem flui do seu próprio coração corrupto, e as Escrituras penetra-o e o corta (ver Hb 4:12-13).
(2) – O Espírito Santo: Através da ação divina do Espírito Santo podemos perceber o que está em nosso coração que está tomando o lugar do nosso Deus. Investir tempo em oração clamando a Deus que o ES ilumine nossa mente para identificar e deixar a nossa idolatria.
(3) – Os outros irmãos: através do amor mútuo, da comunhão que desfrutamos através do sangue de Cristo, precisamos confrontar uns aos outros. O nosso coração é orgulhoso e enganoso, e muitas vezes não conseguimos identificar, por nós mesmos, o que está no nosso coração tomando o lugar do Senhor. Portanto, através de humildade precisamos escutar os outros, e através do amor confrontar os outros.
            O Catecismo Maior de Westminster, pergunta 104 diz: “Quais são os deveres exigidos no primeiro mandamento?” Como resposta: “Os deveres exigidos no primeiro mandamento são: conhecer e reconhecer Deus como único verdadeiro Deus, e nosso Deus; adorá-lo e glorificá-lo como tal; pensar e meditar nele; lembrar-nos dele, altamente apreciá-lo, honrá-lo, adorá-lo, escolhê-lo, amá-lo, desejá-lo e temê-lo; crer nele, confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nele; ter zelo por ele; invocá-lo, dando-lhe louvor e agradecimentos, prestando-lhe toda a obediência e submissão do homem todo; ter cuidado de lhe agradar em tudo e tristeza quando ele é ofendido em qualquer coisa; andar em humildade com ele.” Na pergunta seguinte é descrito todos os pecados que são condenados com o primeiro mandamento. De forma singular o Catecismo de Westminster explora as Escrituras quanto a esse assunto. Soli Deo Gloria, Sola Fide, Solus Christus, Sola Scriptura e Sola Gratia; esses brados da reforma ecoam como um funil, onde no início têm-se todos eles juntos, mas no fim, lá no fim do funil, temos uma única coisa: a Glória de Deus.
            Esse primeiro mandamento – não terás outros deuses diante de mim – é nada mais, nada menos que o Senhor dizendo ao Seu povo: 'Toda a glória seja dada a mim! Eu sou o único e verdadeiro Deus, qualquer outro deus é abominação. A glória que seria dada a ele (o suposto deus) é para ser dada a mim!' A glória é Dele, a salvação é dele, o nosso coração deve repousar somente Nele.

Soli Deo Gloria.


Referências:

[1] HORTON, Michael, A Lei da Perfeita Liberdade, Ed. Cultura Cristã, pág. 34.
[2] http://www.monergismo.com/textos/pecado_tentacao/idolatria_mahaney.htm

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Introdução à Teologia Paulina


Por Danyllo Gomes


    Dentro do Novo Testamento (NT) é fato que temos vários escritores. Evangelhos, cartas gerais e cartas paulinas são os livros que temos no cânon do NT. Entretanto há a dúvida de alguns escritores. Em particular, neste texto irei tentar abordar a respeito do apóstolo Paulo de Tarso. Dentre todos os escritores do NT ele é o que mais se destaca, tanto por quantidade, quanto por assuntos abordados. Podemos atribuir ao apóstolo, aproximadamente 60% a 70% do cânon do NT.

Unidade do NT

    Dentro do NT temos vários assuntos de diferentes tipos colocados de diferentes formas. Há pessoas que argumentam a respeito disso dizendo que o fato do NT ter tanta variedade de assuntos faz disso ele (NT) de contraditório. Porém, essas pessoas antes de tudo utilizam o pressuposto errado para analisar a Bíblia. Eles não acreditam na inspiração divina. Portanto, nós que cremos que a Bíblia é tanto humana quanto divina, cremos que todo o NT tem suas diferenças, mas em vez disso torná-lo contraditório torna-o completo e diverso. Não é por que a Bíblia trata de assuntos diverso que ela tornar-se-á contraditória, não é? Portanto, partindo do pressuposto do tota scriptura analisaremos o NT como um texto inspirado e completo.

Quais as cartas de Paulo?

    Antes de sabermos o que analisar precisamos decidir o que analisar. Será que é confiável? Ou não? Essas são as perguntas que fazemos quando vamos estudar a respeito de qualquer outro texto. E isso não é diferente com as Escrituras. Se vamos analisar a Teologia Paulina precisamos saber se a fonte desta teologia é confiável. Se foi o próprio Paulo que escreveu, ou não? Essas são questões que vamos tentar tratar neste ponto.
    Há um nome ao qual podemos definir o corpo de 13 cartas que são atribuídas ao apóstolo Paulo: corpus paulinus. Depois do séc. XVII alguns teólogos começaram a questionar a autoria de algumas dessas cartas que eram atribuídas a Paulo. Alguns deles acreditam que foram escritas por admiradores, outros por imitadores, e por aí vai. Algumas cartas ficaram fora da discussão, elas são: 1º e 2º Coríntios, Romanos e Gálatas.
    Alguns dos pontos levantados para questionar a autoria paulina das cartas ou não são: diferença de vocabulário, diferença de temas teológicos, estilo diferente, eclesiologia muito elaborada para o primeiro século. O Dr. Augustus Nicodemus argumenta da seguinte forma: “se nos lembrarmos que Paulo escreveu ao longo de 15 anos, que usou amanuenses, que suas cartas tratam de diferentes assuntos levantados por diferentes situações e diferentes igrejas, e que a eclesiologia do primeiro século já era bem elaborada...”, se nos lembrarmos disso conseguiremos entender as cartas paulinas sem precisar abrir mão do pressuposto da inspiração do cânon do Novo Testamento.

Qual a fonte da teologia de Paulo?

    De onde vieram as ideias de Paulo? Há alguns temas na teologia de Paulo que só aparecem em sua carta, de onde ele tirou? Por que cultura ele foi influenciado?
    A verdade é que Paulo foi criado em três mundos: hebraico, judeu e grego. Ele foi criado e educado como judeu na cultura hebraica; viveu no mundo grego, na cultura, religião; e pertencia ao mundo romano, o qual era cidadão. Portanto, a partir desse pano de fundo dá pra perceber que Paulo além de ser um homem bastante estudado, também era bastante “rodado”, ou seja, já havia passado por várias culturas e sofria influencia de todos os lados.
    Antes vamos tentar entender como era o judaísmo na sua época. O judaísmo era dividido em duas partes: o da Dispersão e o da Palestina. Os judeus da dispersão não eram tão rigorosos, pois estavam longe do templo, sempre entre gentios e foi muito influenciado pelo helenismo; porém, apesar de tudo, mantinham-se fieis as principais instituições judaicas. Já o judaísmo da Palestina era considerado mais rigoroso por causa do templo, não sofriam influencia do helenismo e nem dos gentios, tinha a presença das seitas da época (fariseus e escribas), porém não podemos fazer uma grande diferença entre os dois judaísmos.
    O fato é que Paulo era um judeu da Dispersão, foi criado em Tarso com uma educação rabínica de primeira qualidade. Ele foi ensinado aos pés de Gamalieu, um dos maiores estudiosos do judaísmo. Portanto, precisamos observar que a mente de Paulo era bastante influenciada pelo Judaísmo.
    Com o passar do tempo, várias discussões acerca do “pano de fundo” de Paulo entraram em cena. Alguns acreditavam que o pensamento de Paulo era basicamente grego, bastante influenciado pelo dualismo grego entre o bem e o mal e as ideias do neoplatonismo dessa época. Outros acreditavam que Paulo era um gnóstico, e que algumas das suas doutrinas, como, por exemplo, a união com Cristo, foram emprestadas das religiões de mistério (religiões pagãs da época). Portanto, quando se estuda Paulo com esse “pano de fundo” eles procuram paralelos com influencias as quais eles acreditavam que Paulo sofria. Entretanto, a fonte real do pensamento de Paulo era o Judaísmo. Por ter sido criado toda a vida no judaísmo da Dispersão, ter morado em locais onde sempre tinha sinagogas, nota-se que Paulo realmente era um judeu. Sua fervente perseguição contra os judeus mostra isso. A conclusão que tiramos é que o pensamento de Paulo estava embasado no Antigo Testamento, a fonte de literatura judaica, a qual ele seguia e acreditava.
    Além da influência do Antigo Testamento não podemos deixar de citar os ensinamentos de Jesus como fonte para a teologia de Paulo também. Em 1 Coríntios 11:23 vemos que Paulo diz que recebeu alguns ensinamentos do Senhor através de cristãos. E também houve a influencia do ensino da igreja apostólica. Em 1 Coríntios 15:3-4 vemos Paulo afirmando que ele “recebeu” os pontos fundamentais da fé. Esse 'receber' significa que através de ensinamentos, através da tradição oral dos apóstolos pelos cristãos, os ensinamentos chegaram até Paulo e ele os conheceu.
    Com isso, fica a conclusão que devemos entender a teologia de Paulo de acordo com: as Escrituras do Antigo Testamento, os ensinos de Jesus e os ensinos da igreja apostólica. Esses são o três principais pilares que se baseiam a teologia do apóstolo Paulo.

Paulo mudou sua teologia com os anos?

    Precisamos ter em mente que Paulo era inspirado por Deus quando escrevia suas cartas; por outro lado também sabemos que ele é humano, portanto ele está sujeito às normalidades da vida humana, como, por exemplo, crescimento intelectual e físico. Como de costume, muitas pessoas mudam suas ideias com o tempo. A pergunta que surge é: será que Paulo mudou seu pensamento com o tempo? A primeira carta que Paulo escreveu não condiz com sua ultima? Ele mudou sua teologia?
    Alguns teólogos acreditam que não podemos falar de uma teologia paulina, mas sim de várias. Eles afirmam que o corpo das cartas de Paulo não se unem, pois são pensamentos diferentes em épocas diferentes. Portanto suas cartas não refletem um pensamento só, coerente e maduro, mas que tem ideias contraditórias.
    Ao mesmo tempo que tem se instalado esse tipo de pensamento no meio teológico do cristianismo, do outro lado temos teólogos conservadores defendendo a posição histórica de que: “Não! Não podemos falar de várias teologias de Paulo, mas sim de uma. Paulo é inspirado por Deus, portanto a Bíblia não contém contradições.” O Dr. Augustus Nicodemus coloca da seguinte forma: “...as supostas contradições apontadas podem e tem sido explicadas como diferentes ênfases motivadas pelo caráter circunstancial das cartas. Por exemplo, a aparente contradição entre uma atitude crítica do apóstolo para com a Lei de Moisés em Gálatas e sua atitude mais amena e branda em Romanos explica-se levando-se em conta a situação em que Paulo escreveu Gálatas – missionários judaizantes querendo obrigar os crentes gentios a guardarem a lei de Moisés para serem salvos - e a situação e propósito da carta aos Romanos – dar uma explicação mais detalhada do Evangelho que ele pregava. Esta explicação é muito mais coerente do que a hipótese de que Paulo teria sido repreendido por Tiago após ter escrito Gálatas e então modificou se pensamento em Romanos, como defendem alguns.”
    Podemos observar que o não falta explicações coerentes contra essas que estão sendo levantadas contra uma teologia unificada do apóstolo. Não só essa que o Dr. Augustus Nicodemus observa, mas muito mais. É fato que Paulo mudou seu pensamento com o tempo, mas esse pensamento não influenciou necessariamente numa mudança de teologia, mas sim de acréscimo. Paulo não mudou sua teologia com o tempo, apenas acrescentou mais conhecimento a ela. Então esse crescimento gradual de conhecimento não implica, necessariamente, numa contradição no pensamento do apóstolo.

Soli Deo Gloria.